Foto: Igor Carvalho

Iniciativa pretende criar banco de aulas para escolas públicas ocupadas em São Paulo

Para promover atividades nas escolas ocupadas no estado de São Paulo, iniciativa do coletivo Hub Livre propõe que seja criado um banco virtual de aulas, oficinas e atividades educativas. O cadastro é simples, exige informações como nome da atividade, estrutura necessária, duração, escolas que podem receber a ação e contato e pode ser acessado aqui.

O banco de dados com as informações recolhidas será mantido publicamente para que todas as escolas tenham acesso às informações e possam organizar seu próprio calendário de atividades. A iniciativa tem como proposta engajar a sociedade civil no cuidado das escolas públicas e na participação democrática no ensino.

Esta é o maneira mais efetiva de se pressionar por uma educação de qualidade, construindo coletivamente o programa e demonstrando para o governo a força do apoio popular e a consciência que temos de que a escola deve servir a população.

Histórico

Desde a manhã da terça-feira (10), estudantes ocupam o prédio da Escola Estadual Fernão Dias Paes questionando o fechamento e a reestruturação propostos pelo Governo do Estado às escolas públicas estaduais. O movimento ganhou força e se alastrou por todo o estado de São Paulo. Até o fechamento da matéria são ao todo 67 escolas ocupadas ou em assembleias decidindo sua participação no movimento. Um mapa colaborativo reúne as unidades ocupadas.

Preencha o formulário aqui.

 

Foto: Igor Carvalho

 

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Ferguson é aqui: população vai às ruas no dia de hoje manifestar contra a violência e o racismo policial

Sair de casa é sempre um risco para o jovem negro. O medo de ser a próxima vítima de um assassinato por parte da Polícia Militar faz parte da rotina desses jovens, e das mães que passam a vida buscando justiça. Mas como encontrar justiça se é o Estado que tem matado seus filhos e a cada dia torna o racismo institucionalizado? Nos Estados Unidos a situação para a população negra é semelhante, e por não se conformar com o assassinato de mais um adolescente negro em Ferguson, a cidade foi palco de inúmeras manifestações. Seguindo o exemplo da comunidade negra dos Estados Unidos, um ato será realizado hoje em São Paulo contra a polícia e o Estado racista. Com o título “FERGUSON É AQUI!”, a concentração será às 16h na Praça da República.

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O ato convocado por quarenta e duas entidades e coletivos, até o momento, apresenta o seguinte trecho em nota divulgada em evento no Facebook:

“O número de homicídios no pais é superior ao de guerras; O número de assassinatos promovidos por oficiais do Estado são incompatíveis com qualquer experiência democrática; Corpos aos montes, prisões e torturas; Denúncias permanentes por partes de movimentos sociais, órgãos de pesquisa oficiais e até por parte de organismos internacionais. Mas nada, absolutamente nada tem sido capaz de deter o caráter genocida do Estado e de seus órgãos de repressão”.

Para compreendermos em números, segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil em 2013, a expectativa de vida de um homem jovem brasileiro, negro ou pardo, é menor que a metade da de um homem branco da mesma idade. O estudo aponta outros dados importantes para a compreensão da necessidade de um ato como esse. Brasileiros negros e pardos sejam ricos ou pobres, seja homem ou mulher, têm quase oito vezes mais possibilidade de se tornar vítima de homicídio do que as pessoas não-negras. Para cada três vítimas de assassinato no Brasil, duas têm a pele escura.

O estudo completo se encontra AQUI.

E AQUI está o evento do ato no Facebook.

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Lá vai a ala das empoderadas

Já tinha passado a ala da velha guarda, das crianças, e então um furacão passou diante dos nossos olhos. Um grupo de mulheres negras sambava sobre saltos, balançava seus corpos e cabelos, distribuía sorrisos e eu fiquei ali paralisada. Um amigo perguntou que ala era aquela, respondi que só poderia ser a ala das empoderadas da VaiVai.

O bairro do Bixiga é um bairro italiano e branco, mas possui uma veia negra que o faz pulsar e ser um dos locais mais encantadores da cidade de São Paulo. O Bixiga é a casa da escola de samba VaiVai e com os ensaios para o Carnaval suas ruas aos domingos se tornam palco de um dos maiores espetáculos negros. Fui parar num desses ensaios e logo me emocionei quando do portão de entrada pude ver uma pequena garota com os cachos soltos que girava para todos os cantos ao lado da avó que sambava com a disposição de uma adolescente.

As escolas de samba são espaços de resistência e propulsoras de uma autoafirmação com o orgulho de ser negro. VaiVai não é só samba, é política e faz parte da vida de diversas mulheres negras, pois é capaz de transformar a leitura dessas próprias mulheres sobre a vida cotidiana. Todo o processo de construção das escolas de sambas incluem mulheres negras que transformam o samba e o carnaval num processo de construção coletiva e busca por suas raízes ancestrais. Sendo assim, a escola de samba também possui um papel educador sobre a história do povo negro que a escola tradicional não é capaz de suprir. Aos poucos fui achando mais famílias, crianças que corriam atrás da rainha da bateria e o brilho nos olhos de todas as senhoras que também desfilavam.

O vínculo familiar com as escolas de samba também é fruto desse processo de resistência e politização que permeiam esses espaços. A família é onde as discriminações, preconceitos e racismo são sinalizados e combatidos, seja na participação do processo criativo de um carnaval ou na militância dentro de movimentos negros. Eu estava em casa e maravilhada com a quantidade de mulheres que passavam pela minha frente ostentando seus cabelos naturais. Encantavam não só pela beleza, mas pelo empoderamento também.

Eu não sou rainha de bateria, mas sai de lá rainha de mim com uma coroa feita de cachos. Minhas pernas e pés doem, mal consigo andar de tanto que sambei. Mas fica o conselho, quer sambar até o amanhecer? Vai no Bixiga pra ver.

Enquanto isso vai decorando o samba enredo de 2015 que foi feito em homenagem à Elis Regina.

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