Tássia Reis: do interior, bem humilde, no seu radinho

Tassia Reis é a brisa suave que envolve nosso corpo no verão e nos rouba um sorriso gostoso na rua. É a fineza e a bravura da mulher negra que não abaixa a cabeça, mesmo que esteja careca. Sua música dança nos nossos ouvidos com a mesma leveza que Tássia leva a vida. Do interior, bem humilde, lá de Jacareí (SP), é a promessa, mais do que presente, feminina do rap. Sua capacidade de mesclar ritmos, inovar é tão forte quanto seu espírito crítico. Dona de um estilo único lançou seu EP recentemente e promete mexer ainda mais com nossos corações e ouvidos.

Batemos um papo com essa mulher destruidora que não sai do nosso radinho. Olha só.

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Foto: Reprodução/Youtube


Em que momento você percebeu que era a carreira da música para você e não a de moda?

Uma coisa foi acompanhando a outra. Quando comecei o meu curso de Tecnologia em Design de Moda, eu também estava escrevendo minhas primeiras músicas, e toda aquela vida nova, de cidade grande me influenciou bastante para escrever. Meus perrengues, saudades do interior, algumas alegrias também. Mas a verdade é que não consegui um Estágio na área, apesar de sempre me sair bem nas entrevistas, alegavam que era em função do meu inglês, que não é lá essas coisas, porém, as garotas da minha sala também não tinham inglês  e estagiavam, algumas em marcas grandes. Porque? Não era porque eu sou pobre, e sim porque, já não bastasse eu ser negra, tinha um afro gigante, e  1.80 de altura, acho que sou preta muito preta, sabe?!

No fim, isso só me ajudou a escolher o caminho da música, que também não é nada fácil.

Conseguir expor meus sentimentos, meus pensamentos, meu ideais, era e é tudo que eu sempre quis, desde quando eu dançava .

Como o curso de moda influencia no seu trabalho?

O curso de moda me ajudou muito no que diz respeito a processo criativo, e inspiração, passei a respeitar mais as ideias que antes eu considerava “bobas”, e apesar de estudar tendências, compreendi que não há nada melhor do que a naturalidade. Tudo que é programado demais, enlatado demais, tem prazo pra vencer . O que é natural gira por anos e anos, é atemporal.

Como cantora independente, quais são as dificuldades?

A dificuldade maior é descobrir ferramentas que funcionem no meu formato de artista, ferramentas sustentáveis, porque a realidade é que não temos estrutura financeira, nem cultural . O mercado musical vem sofrendo mudanças com a democratização que a internet proporciona, e no meu ponto de vista, todo mundo está entendendo como proceder a sua maneira. O que funciona com quem e etc. Acho que tudo se resume em experimentar, arriscar e produzir. É o que estamos fazendo, a nossa maneira “do interior, bem humilde” rs.

Você sentiu e sente alguma dificuldade por ser mulher e querer cantar rap? Acha que a cena do rap ainda é muito machista?

Qualquer coisa que eu queira fazer, eu vou sofrer opressão porque somos todos educados nesse sistema machista, o Hip-Hop não fica de fora . Meus pais sempre me diziam que eu tinha que me destacar porque as oportunidades não estavam do meu lado, por isso tento sempre fazer as coisas com excelência . Acabei me condicionando a provar que sou capaz pra tudo e qualquer coisa .

Você acredita que o Brasil reconhece a contribuição dos negros para a sua cultura?

Não, pelo contrário, ainda se luta pra ensinar a verdadeira história nas escolas, as políticas públicas são recentes, e ainda não conseguimos sentir os reflexos positivos, melhores cargos, melhores posições sociais, demorará anos pra isso acontecer (sendo otimista). A mídia ainda vende um padrão europeu que não tem nada haver a com a gente, quando resolve colocar uma figura negra geralmente é de uma maneira extremamente sexista.

Ao mesmo tempo vejo movimentações que me agradam, pessoas se unindo, discussões sendo abordadas, na internet tenho vista auto-estima,a procura por dados, por conhecimento que antes a gente nem sonhava em acessar. Acho pouco, mas é um começo.

Quais são suas influências, seja na vida ou na música?

Meus pais são pessoas que me permitiram ser o que eu sou, não me podaram, e me apoiaram da maneira que eles podiam. Isso já fez toda a diferença pra mim. Meus amigos, mais especificamente, minhas amigas são muito guerreiras, batalhadoras, gente que faz e acontece. Isso acaba gerando uma corrente de impulsão, bom, eu gosto de pensar assim.

Musicalmente tenho muita influencia da Música Preta Brasileira, apesar de criar num gênero americano, que é o Rap, eu gosto de impor a minha verdade nas canções.

Diria que Djavan, Clara Nunes, Caetano, Erykah Badu, Lauryn Hill e Floetry tem grande influência nas minhas coisas . Mas tem muito mais gente que acaba influenciando .

Quais são os próximos planos para o seu projeto? O que podemos esperar da Tássia em 2015?

Pretendo dixxtruir!!! Mais músicas nesse ano, sem esquecer que acabei de lançar o EP. Vai ter clipe, vai ter vídeo, vai ter badalo, vai ter parcerias fortes! Estou muito animada, e inclusive gostaria de agradecer o espaço, e aproveitar e agradecer a todo carinho que tenho recebido, tem sido muito importante pra mim, tem me dado força e mais garra.

Aproveito e deixo minhas redes sociais  pra quem tiver afim de acompanhar e fortalecer :

Facebook.com/tassiareisoficial

Twitter e Instagram – @tassiareis_

Youtube.com/tassiareisoficial

soundcloud.com/t-ssia-reis

 

O Ep Tássia Reis está a venda no Itunes, na Radio Uol, e na Onerpm, disponível no Spotify, Deezer, Rdio, e também Download gratuito na descrição do youtube e soundcloud .

Um super beijo, seguimos na luta .

#AquiéClackBoom

 

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Karol Conka lança novo single e deixa todo mundo tombado

Na manhã dessa terça-feira, Karol Conka lançou seu novo single em parceria com Tropikallaz, “Tombei”. No seu famoso jeitinho eletrônico feat afro-brasilidades, “Tombei” tem tudo para ser o novo hit das festas em 2015. Ela que é uma das grandes revelações do rap nacional e tem conquistado o Brasil e a Europa com o seu trabalho original, tem mostrado caminhos que o rap pode seguir e vai mais longe em “Tombei”.

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Com uma pegada descontraída e enfatizando o poder da mulher, o novo single de Conka traz trechos divertidos como “Mamacita fala, vagabundo senta”. A mulher de “Tombei” é forte e independente, que dita as próprias regras na relação e impõe o respeito, “Se quiser falar comigo, fala direito”.

Karol Conka mandou a gente tombar, e estamos no chão. Quem quiser ficar tombadinho de amor ao vivo, a rapper vai lançar o single amanhã, dia 17 de dezembro, às 21h pelo Netshow.me. Para acompanhar é só se acessar e se inscrever AQUI.

Ouça “Tombei”:

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O Hip Hop salva vidas, mas também pode salvar a universidade

Existe um muro invisível entre a universidade pública e a comunidade que a rodeia. O Hip Hop está no meio disso tudo e deseja quebrar esse muro, mas os “boys” precisam ajudar.

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Foto: Semana do Hip Hop Bauru 2014

Depois que “Nó na Orelha” explodiu e a classe média universitária descobriu que dá para ouvir rap e continuar sendo descolado, todo mundo passou a amar rap e a pedir mais amor por favor. Nada contra o Criolo e seu trabalho musical, mas os fãs de Criolo estão no mesmo caminho dos fãs de Beatles. Só que existe um problema nessa aproximação, rap é compromisso, não é viagem. A galera da quebrada e do Hip Hop está querendo chegar mais perto da universidade, mas o quanto a universidade está disposta a se aproximar e a compreender que o rap não é só Criolo e Emicida?

Em novembro, o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop realizou a “Semana do Hip Hop de Bauru” com uma programação extensa repleta de shows, oficinas, saraus, atividades educativas e debates. Com o propósito de gerar uma aproximação entre a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e o movimento Hip Hop, foi proposta a realização de um debate dentro da universidade. Entretanto, o momento que deveria funcionar como ajuntamento entre esses dois universos reafirmou a distância que existe e quais são os muros que os separam. O coordenador do Acesso Hip Hop, Renato Magú, questionou durante o debate não só a ausência de universitários naquele espaço, bem como o que a universidade pública compreende como Hip Hop.

Para a molecada da quebrada o Hip Hop salva vidas e traz esperança, além de dar voz à periferia. Porém, para a galera da universidade ainda é só um produto cultural a ser consumido na mesma velocidade em que universitários giram seus corpos, em festas indies e descoladas, na disputa para ver quem vira mais copos ou de quem faz mais cara de marrento para a foto quando toca Racionais. Enquanto os estereótipos estéticos sobre o Hip Hop forem maiores que o desejo de mudança da realidade das universidades públicas, o pobre e o preto continuarão sendo objeto de estudo e não protagonistas do seu próprio movimento cultural. Não adianta defender o Sistema de Cotas e recitar Marx nas assembleias estudantis se não compreender que ter marra na favela não é pose, é resistência. O Hip Hop salvou vidas, e pelo visto vai ter que salvar a universidade.

 

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