Apresentação de Beyoncé no Grammy homenageia jovens negros assassinados

A edição deste ano do Grammy Awards foi palco de uma homenagem especial ao filme “Selma – Uma Luta Pela Igualdade”. Beyoncé, Common e John Legend foram os artistas responsáveis por este momento, certamente o mais bonito da tradicional premiação musical realizada na noite do último domingo (8), em Los Angeles, nos Estados Unidos.

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A apresentação do trio teve início com rainha Bey, que interpretou “Take My Hand, Precious Lord”. Em seguida, Common e Legend subiram ao palco para cantar “Glory”, premiada na categoria de “Melhor Canção Original” no Globo de Ouro 2015.

A performance de Beyoncé foi embalada por um dos destaques da trilha sonora de “Selma”, filme indicado a duas categorias do Oscar 2015 e que conta a história de Martin Luther King, pastor protestante e ativista social pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. A canção “Take My Hand, Precious Lord” (“Pegue minha mão, precioso Senhor”, em tradução livre) foi composta por Thomas A. Dorsey (1899-1993) e é considerada um hino pelos cristãos norte-americanos. Em sua belíssima apresentação, Bey contou que ouviu a música pela primeira vez na voz de sua mãe, que a levava à igreja quando criança.

O tributo ao filme se torna ainda mais especial se considerado o contexto em que foi realizado. Em 2014, o jovem Mike Brown foi assassinado covardemente a tiros por um policial em Ferguson, no estado Missouri (EUA). O crime desencadeou uma série de manifestações em resposta a brutal violência do Estado contra a população negra e acirrou a tensão racial no País.

Enquanto Ferguson ainda chora pelo sangue derramado, Beyoncé subiu ao palco do Grammy acompanhada de homens pretos para cantar a dor de toda a comunidade negra do mundo. Sua performance representou uma espécie de prece pelos mortos de seu povo, sua canção serviu para relembrar que os seus irmãos e irmãs de cor seguirão de punhos erguidos e lutando.

Em seu site oficial, a deusa divulgou um vídeo com os bastidores de sua performance no Grammy e aproveitou para destacar a importância e os significados de sua apresentação.

“Meus avós marcharam com Martin Luther King e meu pai fazia parte da primeira geração de homens negros que frequentavam uma escola só de brancos. Meu pai cresceu com um monte de traumas por causa dessas experiências. Eu sinto que agora posso cantar por sua dor, eu posso cantar pela dor dos meus avós e eu posso cantar pelas famílias que perderam seus filhos”, contou.

Ao final de sua apresentação, Bey ainda agradece: “Obrigado, rapazes”. E nós somos gratas a ela por dar voz a nossa dor. A música é uma arma poderosa, e os músicos negros norte-americanos nunca deixaram de cantar e clamar pela salvação de seu povo e pelo fim de todas as injustiças. A mensagem de Fela Kuti repercute.

Veja a performance no Grammy e o vídeo especial sobre a apresentação. 

 

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Ferguson é aqui: população vai às ruas no dia de hoje manifestar contra a violência e o racismo policial

Sair de casa é sempre um risco para o jovem negro. O medo de ser a próxima vítima de um assassinato por parte da Polícia Militar faz parte da rotina desses jovens, e das mães que passam a vida buscando justiça. Mas como encontrar justiça se é o Estado que tem matado seus filhos e a cada dia torna o racismo institucionalizado? Nos Estados Unidos a situação para a população negra é semelhante, e por não se conformar com o assassinato de mais um adolescente negro em Ferguson, a cidade foi palco de inúmeras manifestações. Seguindo o exemplo da comunidade negra dos Estados Unidos, um ato será realizado hoje em São Paulo contra a polícia e o Estado racista. Com o título “FERGUSON É AQUI!”, a concentração será às 16h na Praça da República.

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O ato convocado por quarenta e duas entidades e coletivos, até o momento, apresenta o seguinte trecho em nota divulgada em evento no Facebook:

“O número de homicídios no pais é superior ao de guerras; O número de assassinatos promovidos por oficiais do Estado são incompatíveis com qualquer experiência democrática; Corpos aos montes, prisões e torturas; Denúncias permanentes por partes de movimentos sociais, órgãos de pesquisa oficiais e até por parte de organismos internacionais. Mas nada, absolutamente nada tem sido capaz de deter o caráter genocida do Estado e de seus órgãos de repressão”.

Para compreendermos em números, segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil em 2013, a expectativa de vida de um homem jovem brasileiro, negro ou pardo, é menor que a metade da de um homem branco da mesma idade. O estudo aponta outros dados importantes para a compreensão da necessidade de um ato como esse. Brasileiros negros e pardos sejam ricos ou pobres, seja homem ou mulher, têm quase oito vezes mais possibilidade de se tornar vítima de homicídio do que as pessoas não-negras. Para cada três vítimas de assassinato no Brasil, duas têm a pele escura.

O estudo completo se encontra AQUI.

E AQUI está o evento do ato no Facebook.

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