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Clarice Falcão lança novo clipe e se joga no batom vermelho

Numa releitura de Survivor de Destiny’s Child, a atriz, cantora e compositora Clarice Falcão apresentou na manhã desta sexta-feira, 13, seu novo clipe em seu canal no Youtube. Lançada em 2001, “Survivor” é uma faixa do terceiro álbum do Destiny’s Child, que era formado por Beyoncé Knowles, Kelly Rowland e Michelle Williams. No clipe, a cantora apresenta uma visão menos romantizada sobre a canção ao retratar diversas mulheres de diferentes biotipos passando batom vermelho da forma que desejam.

“A gente queria tirar a conotação romântica da música e pensamos no batom vermelho”, explica Clarice. Com o intuito de representar todas as mulheres, a cantora esclarece que deu o batom na mão delas e orientou para que fizessem o que desejavam.

Além de se maquiarem de maneira convencional, muitas passam o batom pelo corpo e escrevem palavras como “padrão” e “sapatão”, além de desenharem os símbolos do feminismo e transfeminismo. Clarice revela que sempre foi muito fã de Destiny’s Child e acredita que o grupo sempre teve uma pegada feminista por apresentar músicas tão fortes como “Bills, Bills, Bills” e “Independent Woman”.

Desde que Jout Jout lançou em seu canal no Youtube o vídeo “Não tira o batom vermelho” diversas mulheres passaram a utilizar o batom vermelho como símbolo de resistência e empoderamento na internet. A atriz conta que Jout Jout foi uma das referências para a concepção do clipe, mas não a única, já que a história de diversas mulheres a inspiraram. A mãe e a irmã de Clarice, Adriana e Isabel, também participam do clipe.

Os lucros da venda da música no iTunes serão inteiramente revertidos para a Think Olga, uma ONG que luta pelos direitos das mulheres. No fim do vídeo aparece uma mensagem que diz: “É preciso ter coragem para ser mulher nesse mundo. Para viver como uma. Para escrever sobre elas.”

Confira o clipe:

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Os homens é que precisam do Feminismo

Ao saírmos do armário do feminismo e comunicarmos para as pessoas próximas que não vamos mais tolerar certos tipos de piadas, é como se a terceira guerra mundial começasse em nossa vida. Lembro que a primeira vez que me assumi publicamente como feminista foi em 2011, num post no Facebook. De lá para cá, muita coisa mudou na minha vida e nos meus relacionamentos.

Assumir-se feminista é entender que todos os homens, inclusive os que você mais ama, são machistas. Colocar-se numa postura crítica é um processo doloroso de ambas as partes, nem todos os relacionamentos sobrevivem. Num momento cheguei a acreditar que perderia meus melhores amigos e que a situação com o meu pai ficaria insustentável. Entretanto, eles entenderam algo que poucas pessoas assimilaram: o Feminismo não precisa dos homens, são os homens que precisam do Feminismo.

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Foto: Diogo Zacarias

Explicar o Feminismo aos homens foi uma tarefa árdua. Em 2011, minhas referências feministas na internet eram só a Lola, com o blog “Escreva Lola”, e a Nádia Lapa, com o polêmico “Cem homens”. Não existiam coletivos feministas na minha universidade e as mulheres não eram lá muito minhas amigas.

Foi uma fase bastante difícil. Frequentemente, eu terminava as noites brigando com os caras nos fins de festas ou chorando nas mesas de bar porque não conseguiam entender que piadas e comportamentos machistas, com qualquer mulher que fosse, me ofenderiam. Hoje, compreendo que não precisava ter me desgastado tanto, mas uma coisa ficou clara: eu não necessito do aval deles. A estratégia que assumi foi a de mostrar como eram eles que precisavam do Feminismo, e deu certo.

Certa vez, o meu melhor amigo me surpreendeu ao dizer que ensino coisas a ele mesmo quando estou conversando sobre banalidades da minha vida. E agradeceu dizendo que hoje ele é um homem melhor porque compreendeu o Feminismo e é capaz de tratar todas as pessoas de maneira igual e respeitosa. Atualmente, alguns pedem para que eu os alerte quando emitirem alguma opinião machista ou racista. Lembrando que ter esta postura não é obrigação de nenhuma feminista.

Entendam de uma vez por todas: o machismo não é um problema nosso, mas dos homens. São eles que oprimem e continuam reforçando para si padrões de um regime masculino no campo estético, comportamental e social. O diálogo, a reflexão e a mudança de postura são necessários entre todas as pessoas.

E não, o Feminismo não precisa dos homens. Passar bem.

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Qual é o lugar da mulher negra na web?

Perante um mercado de mídias digitais emergentes, temas como feminismo, movimento negro e outras causas sociais têm ganhado notoriedade dentro da sociedade. Com o intuito de debater a presença feminina na internet, o Sesc Bauru, em parceria com o Blogando, realizou o evento “Conectando Possibilidades – O espaço da mulher na web” nesta quinta (12). O bate-papo foi guiado por Clara Averbuck e Mari E. Messias, do blog “Lugar de Mulher”.

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O baixo custo de produção é um facilitador para que recursos digitais como blogs, redes sociais e aplicativos para smartphones propiciem importantes discussões sobre temas políticos e sociais. Com mais de 46 mil likes em sua página no Facebook, o blog “Lugar de Mulher” serve como exemplo para esta realidade e é referência para feministas por apresentar textos didáticos que explicam questões que são tabus para a sociedade.

Apesar da internet não ser o principal meio de comunicação de massa, seu apelo popular é cada vez mais evidente. A força política é demonstrada nos momentos em que veículos tradicionais como a televisão e os impressos são pautados pelas redes sociais. Recentemente, o programa matinal “Encontro com Fátima”, da TV Globo, entrevistou as administradoras da página do Facebook “Faça amor, não faça chapinha”, importante projeto que aborda o processo de transição capilar para meninas de cabelos crespos e cacheados.

A interferência da web em nosso cotidiano e nas formas de nos relacionarmos coloca em xeque termos como “ativismo de sofá”, referência a uma forma de atuação política preguiçosa e que não possui efeitos na vida real. A bauruense Ana Karolina Lombardi criou o blog “Caraminholas de Karola” em 2011 como uma espécie de diário virtual, mas adotou um tom  político ao seu trabalho após o processo de transição capilar em que assumiu seus fios naturais. “Se não existirem esses lugares, nós mesmas temos que estar preparadas para abrir os espaços necessários e nos fazer ouvir”, reflete Ana Karolina.

 

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Karol Lombardi do “Caraminholas de Karola”. Foto: Arquivo pessoal

O ano de 2013 foi marcado por diversos acontecimentos no cenário digital. Em relatório divulgado pela empresa comScore em maio de 2014, o alto engajamento dos brasileiros se mostrou uma realidade, com grande utilização de dispositivos móveis e aplicativos. Além disso, observou-se o fortalecimento das redes sociais e o aumento da rentabilidade da publicidade na internet gerada por novas funcionalidades como vídeos de curta duração e transmissões via streaming.

O coletivo “Blogueiras Negras” aproveitou a onda e em 2014 realizou uma sequência de vídeos em oposição ao seriado “Sexo e as Negas”, transmitido pela TV Globo. Acusada de racismo, a produção apresentou a mulher preta de maneira sexualizada, principal estigma que recai sobre ela desde o período da escravidão no Brasil. A websérie “As nêga real” trouxe diversas negras para debater e problematizar a atração. A mobilização gerada pelo coletivo ganhou tanta força na rede que não se cogita mais uma segunda temporada para o programa global.

Em dezembro de 2014, a comScore registrou 65,5 milhões de espectadores únicos de vídeos online no Brasil, número que representa 86,5% do total de internautas no país. Neste cenário, vlogs sobre cabelos e estética negra ganharam força. A alagoana Rayza Nicácio possui um canal no Youtube em que mais de 250 mil meninas acompanham suas dicas para cabelos cacheados. O trabalho da estudante de Comunicação é voltado para que mais mulheres possam assumir seus fios naturais. Também referência neste nicho, Joyce Carter tem mais de 30 mil assinantes que seguem seus vídeos com dicas capilares, de maquiagem e de moda.
Letícia Abreu, de 21 anos, criou o blog “Letícia fez um blog” para abordar assuntos variados como música, moda e a sua atuação no movimento Hip Hop da cidade de  Bauru (SP). Assim como o “Caraminholas de Karola”, o espaço passou a tratar de assuntos políticos como feminismo negro após a transição capilar da autora. Letícia acredita que fazer ativismo na internet é algo fundamental. “Hoje em dia, tudo gira em torno da internet, as pessoas estão cada vez mais conectadas”, aponta a baurense, que também entende ser muito importante valorizar a mulher negra, pois não existem muitos blogs sobre a temática.

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Letícia Abreu do “Letícia fez um blog”. Foto: Arquivo pessoal

Para Ana Karolina Lombardi, não bastam apenas espaços para abordar estética. A blogueira entende ser necessário estabelecer debates sobre machismo e racismo. “Quando se trata do feminismo negro e periférico, do aborto e da saúde pública na periferia, e de assuntos que englobam unicamente a mulher negra que vive em comunidades, a pesquisa se torna desgastante, pois não há tantos blogs que falem sobre isso”, critica a estudante de Letras.

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Transtornar o olhar: mês da visibilidade trans

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Com o título “Transtornar o olhar: mês da visibilidade trans”, o evento que ocorrerá no dia 28 de janeiro, próxima quarta-feira, pretende discutir temas como o processo transexualizador, família, mercado de trabalho, mídia e transfobia.

O debate será guiado pelas ativistas e estudantes universitárias Amara Moira e Leila Dumaresq, do Coletivo Trans Tornar. Amara é Doutoranda no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e escreve no blog “E se eu fosse puta”. Leila é Filósofa graduada pela Unicamp e escreve no blog “Transliteração”.

“Transtornar o olhar” terá início às 19h, e será realizado no Auditório da  Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB).  Não são necessárias inscrições antecipadas, e dúvidas podem ser encaminhadas para o endereço transtornar@gmail.com.

O evento é promovido pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC); Faculdade de Ciências (FC); Grupo de Pesquisa “Transgressões: Corpos, Sexualidades e Mídias Contemporâneas”; Projeto de Extensão “Escutando a Diversidade”; Conselho Regional de Psicologia – CRP São Paulo, e pelo Departamento de Ciências Humanas da FAAC.

Leia mais: http://bit.ly/1LcVzcL

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Apartamento 302 recebe a atriz Polly, que fala sobre racismo e beleza natural

O Apartamento 302 é um projeto do fotógrafo Jorge Bispo que busca retratar a beleza natural das mulheres, fugindo dos padrões midiáticos. O projeto virou programa de TV no Canal Brasil, e recebe neste episódio a atriz Priscilla Marinho, a Polly, que em meio a risadas e lágrimas, se descobre como uma mulher livre diante a uma câmera fotográfica.

Polly também fala do que toda mulher negra já conhece, a solidão. Relembra dos casos de amor frustrados quando era mais nova. “Eu era bonitinha pô, porque ninguém gostava de mim?”, desabafa. Além de preta, Polly também é gorda e por isso enfatiza como é difícil se abrir para o outro nessas duas condições, uma vez que os julgamentos são cruéis e podem destruir a sua autoestima.:”Você ser diferente incomoda MUITO as pessoas”.

A história de Polly é a mesma de muitas mulheres gordas e pretas. Vale à pena acompanhar o desabrochar da atriz no palco de sua própria vida e beleza. #ficaadica

Veja o programa completo aqui.

Foto: Jorge Bispo

Foto: Jorge Bispo

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A estagiária gostosa da Rádio Cidade veio para nos dar um recado

A “estagiária gostosa” da Rádio Cidade é uma mulher livre, e essa liberdade lhe dá o direito de consentir com uma piada ofensiva para outras mulheres. A estagiária pode ser você, eu, nossa melhor amiga, nossa prima ou a vizinha que está do outro lado da rua colhendo pitanga. Todo local de trabalho tem uma “estagiária gostosa”, mas raros são os locais que encontramos as estagiárias inteligentes. Essas mulheres podem ser gostosas e inteligentes ao mesmo tempo, mas em seus trabalhos como deveríamos nos referir a elas e como deveriam ser nossas piadas com elas?

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Gostamos de ser chamadas de gostosa na cama, quando enviamos uma foto vestindo aquela calcinha nova e quando queremos ser gostosas. Entretanto, nossa sexualidade deve ficar fora do nosso local de trabalho. Pedimos por isso do mesmo modo que reivindicamos receber o mesmo que um homem na mesma função exercida, ainda mais nos espaços de comunicação.

O que os veículos de comunicação tem feito pelas mulheres que circulam por eles e pelas mulheres que são o seu público alvo? Faço essa pergunta por que, segundo relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) de 2013, as mulheres representam 63% dos profissionais da área. Entretanto, essas mulheres são minorias no cargo de liderança. E para piorar o quadro das mulheres que trabalham como jornalistas, o que não está quantificado, porém, circula nas mesas de bares até hoje, é o do teste do sofá como meio de se alcançar um cargo desejado. Esse discurso ainda é reproduzido por professores nas escolas de jornalismo pelo país.

É necessário que não só a Rádio Cidade reveja o que tem veiculado em suas redes sociais, é cada vez mais necessário que se discuta o ambiente de trabalho para as mulheres nos veículos de comunicação. A “estagiária gostosa”, no futuro, ainda vai receber menos que os seus colegas de trabalho, e isso está longe de ser uma piada, mesmo que os jornalistas da Rádio Cidade insistam nisso.

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