Ferguson é aqui: população vai às ruas no dia de hoje manifestar contra a violência e o racismo policial

Sair de casa é sempre um risco para o jovem negro. O medo de ser a próxima vítima de um assassinato por parte da Polícia Militar faz parte da rotina desses jovens, e das mães que passam a vida buscando justiça. Mas como encontrar justiça se é o Estado que tem matado seus filhos e a cada dia torna o racismo institucionalizado? Nos Estados Unidos a situação para a população negra é semelhante, e por não se conformar com o assassinato de mais um adolescente negro em Ferguson, a cidade foi palco de inúmeras manifestações. Seguindo o exemplo da comunidade negra dos Estados Unidos, um ato será realizado hoje em São Paulo contra a polícia e o Estado racista. Com o título “FERGUSON É AQUI!”, a concentração será às 16h na Praça da República.

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O ato convocado por quarenta e duas entidades e coletivos, até o momento, apresenta o seguinte trecho em nota divulgada em evento no Facebook:

“O número de homicídios no pais é superior ao de guerras; O número de assassinatos promovidos por oficiais do Estado são incompatíveis com qualquer experiência democrática; Corpos aos montes, prisões e torturas; Denúncias permanentes por partes de movimentos sociais, órgãos de pesquisa oficiais e até por parte de organismos internacionais. Mas nada, absolutamente nada tem sido capaz de deter o caráter genocida do Estado e de seus órgãos de repressão”.

Para compreendermos em números, segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil em 2013, a expectativa de vida de um homem jovem brasileiro, negro ou pardo, é menor que a metade da de um homem branco da mesma idade. O estudo aponta outros dados importantes para a compreensão da necessidade de um ato como esse. Brasileiros negros e pardos sejam ricos ou pobres, seja homem ou mulher, têm quase oito vezes mais possibilidade de se tornar vítima de homicídio do que as pessoas não-negras. Para cada três vítimas de assassinato no Brasil, duas têm a pele escura.

O estudo completo se encontra AQUI.

E AQUI está o evento do ato no Facebook.

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Aline Ramos, 26 anos é idealizadora do blog “Que nega é essa?, dedicado a discussões sobre feminismo, movimento negro e cultura. É assessora de comunicação do Programa Jovem Monitor/a Cultural pela Ação Educativa. Em 2015, foi indicada pela Revista Cláudia como uma das 30 mulheres com menos de 30 para ficar de olho, incluída na lista de mulheres inspiradoras do Think Olga no mesmo ano e considerada uma das mulheres negras mais influentes da web pelo Blogueiras Negras.

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