xenia

Assista “Breu”, primeiro clipe da carreira solo de Xênia França

Single feito em homenagem às mulheres negras tem produção exclusiva do Coletivo 336

Consagrada como a voz feminina da banda paulistana Aláfia, Xênia França inaugura nova fase de sua carreira em música que coloca a mulher negra como protagonista. Para celebrar sua etapa solo, a cantora lança o clipe do single “Breu”, canção integrante de EP a ser lançado ainda neste ano. Quatro novas músicas já foram produzidas ao lado de Pipo Pegoraro.

Assista aqui “Breu” 

Produzido em parceria com o Coletivo336, o vídeo compõe o segundo episódio do programa “O Canto”, série que apresenta faixas inéditas sobre o universo feminino interpretadas por diferentes convidadas.

Composta por Lucas Cirillo, “Breu” trata de importantes questões políticas e debate temas urgentes como o racismo institucionalizado no Brasil. A faixa também é um manifesto contra a desvalorização e a hipersexualização do corpo negro, principalmente o feminino. “Essa música me ajuda a estabelecer uma relação de empatia, me colocando no lugar de diferentes mulheres negras”, revela Xênia França.

A figura de Cláudia Santos foi uma das inspirações para “Breu”. Assassinada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2014, a mulher é uma das homenageadas pela canção. “Quando decidi gravar meu primeiro single, Cláudia não saía da minha cabeça, estava falando muito comigo e com o momento em que estamos vivendo”, explica a cantora.

O videoclipe é dirigido por Gabi Jacob e conta com a participação de mulheres que são referências em diversas áreas da cultura negra. “Convidei amigas que me inspiram e sabem o que é ser uma mulher negra em nossa sociedade”, revela.

“Breu” representa o pontapé inicial de Xênia França em seu trabalho solo. A cantora encara a música lançada como o começo de uma série de transformações e desconstruções. Sua intenção é usar a consciência para abandonar coisas aprendidas de forma errada durante toda a vida. “Esse me pareceu um bom tema para começar uma carreira solo. Quis me olhar nesse espelho, com essas reflexões sobre quem eu sou e a minha condição de mulher preta”, finaliza.

 

FacebookTwitterPinterest
Foto: Igor Carvalho

Iniciativa pretende criar banco de aulas para escolas públicas ocupadas em São Paulo

Para promover atividades nas escolas ocupadas no estado de São Paulo, iniciativa do coletivo Hub Livre propõe que seja criado um banco virtual de aulas, oficinas e atividades educativas. O cadastro é simples, exige informações como nome da atividade, estrutura necessária, duração, escolas que podem receber a ação e contato e pode ser acessado aqui.

O banco de dados com as informações recolhidas será mantido publicamente para que todas as escolas tenham acesso às informações e possam organizar seu próprio calendário de atividades. A iniciativa tem como proposta engajar a sociedade civil no cuidado das escolas públicas e na participação democrática no ensino.

Esta é o maneira mais efetiva de se pressionar por uma educação de qualidade, construindo coletivamente o programa e demonstrando para o governo a força do apoio popular e a consciência que temos de que a escola deve servir a população.

Histórico

Desde a manhã da terça-feira (10), estudantes ocupam o prédio da Escola Estadual Fernão Dias Paes questionando o fechamento e a reestruturação propostos pelo Governo do Estado às escolas públicas estaduais. O movimento ganhou força e se alastrou por todo o estado de São Paulo. Até o fechamento da matéria são ao todo 67 escolas ocupadas ou em assembleias decidindo sua participação no movimento. Um mapa colaborativo reúne as unidades ocupadas.

Preencha o formulário aqui.

 

Foto: Igor Carvalho

 

FacebookTwitterPinterest

5 em 50: Egito e Índia pelo olhar de duas brasileiras

O mundo é seu, o mundo é meu e também é da Giovanna Falchetto e da Fernanda Bichuette. As duas contaram um pouco do intercâmbio que fizeram pela AIESEC no evento “5 em 50” na Unesp de Bauru. Além de realizarem um sonho, as universitárias puderam trabalhar como voluntárias em projetos de impacto social nos países em que visitaram. A Giovanna foi para o Egito e a Fernanda para a Índia.

As mulheres cada vez mais têm rompido barreiras e conquistado um espaço maior no mundo, entretanto, nem todo lugar é seguro para elas. As brasileiras são tratadas de maneira extremamente sexualizada, mas quando falamos de Egito e Índia a situação é mais complicada. Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Thompson-Reuters, o Egito é considerado o pior país para mulheres do mundo árabe. O estudo mostrou que o assédio sexual, mutilações dos genitais e tráfico de mulheres são recorrentes e torna o país um lugar inseguro. Giovanna conta que a mulher brasileira ainda é vista de maneira estereotipada, mas afirma que a sua maior dificuldade foi por ser mulher e não brasileira. “A situação da mulher no Egito é horrorosa, o Feminismo sangra lá de tanto que as mulheres são submissas”, aponta a estudante.

A situação não é diferente na Índia, um país onde um grupo de mulheres é condenado a uma vida de humilhações e de violência desde o nascimento. Há uma divisão social bastante rígida definida pelas castas. Quem nasce na camada mais baixa é chamado de ‘dalit’ ou ‘intocável’, mas o nome não significa privilégio algum. Os ‘intocáveis’ não têm direitos e são vítimas de todo tipo de agressão, especialmente as mulheres. Algumas chegam a ser atacadas com ácido e estão expostas a agressões, assédios e estupros a todo o momento. Fernanda não passou por situações como essa, pelo contrário, foi muito bem tratada. “Entrei em muita festa de graça pelo simples fato de ser brasileira”, conta.

Romper essas barreiras por serem mulheres mostra como a viagem de Giovanna e Fernanda foi especial. Pedimos para as duas listarem cinco coisas que a impressionaram e adoramos o resultado. Vejam a lista:

5 coisas incríveis sobre o Egito por Giovanna Falchetto

  1. A Intensidade das pessoas. Os árabes são muito intensos no modo de se relacionar. Falam muito rápido e gesticulam muito. Fazem amizade rápido e acolhem um estrangeiro de forma surpreendente, fazem de tudo pra você se sentir em casa e bem.
  1. A praia de Dahab. O lugar mais bonito em que já fui na vida.

    11080754_361748767344058_8797096618836741053_o

  1. Monte Sinai. Apesar de não ter religião definida, tenho muita fé e ter estado nesse lugar significou muito pra mim.
    10450237_361748357344099_7346176540734582786_o
  1. A troca de valores e cultura que tive por estar trabalhando com mais de 70 pessoas de países diferentes.
  1. A energia do lugar. Acredito muito em energias que se trocam e se completam e no Egito senti isso de forma inexplicável.

5 coisas incríveis sobre a Índia por Fernanda Bichuette

  1. A comida. Eu engordei 7kgs lá na Índia. A comida é EXTREMAMENTE apimentada. Eu já sabia que ia me deparar com isso, mas achei que dava pra engolir. Como para conseguir comer eu tinha que beber mais de 1l de água eu acabei comendo muito fast food.
  1. As pessoas. Esse é um idoso Sikh, religião mais fofa da Índia. Eles simbolizavam simpatia e receptividade pra mim. Sempre muito dispostos a me ajudar. E não era diferente com as outras pessoas de lá. Nunca me senti tão bem recebida em um lugar! Quando eu saia, era mais de dez pessoas pedindo para tirar foto pelo simples fato de eu ser de outro país.
  1. Fronteira Índia-Paquistão. Estive em uma cidade em que haviam jogado uma bomba na semana anterior a minha visita. Fiquei sabendo depois que fui embora. E que bom! Consegui aproveitar muito e foi um dos eventos mais incríveis. Índia de um lado do portão, Paquistão do outro. Cada um com seu grito de “guerra”, mas de forma pacífica. Foi lindo de ver. Chamaram as mulheres indianas para dançar e eu fui também. Com certeza, meu “aha moment” da viagem toda!
    11080768_941532105880866_3373529871217631811_o
  1. Templo de Lotus. 8 religiões em um Templo só. Isso demonstra muito a tolerância e diversidade religiosa que me encantou por lá. Todos se respeitam muito. Dentro desse templo, senti uma paz indescritível. Lá dentro tem um altar sem imagem alguma e alguns bancos. Estar lá foi uma das minhas melhores experiências no país e considero esse Templo o mais incrível lugar de Nova Deli.
    11063899_941532245880852_22799406758068453_o
  1. Cerimônia religiosa na beira do Rio Ganges. No meu primeiro final de semana fui viajar e acampar na beira do Rio Ganges. Ao fim do dia, participei de uma cerimônia religiosa em sua margem. Foi naquele momento que senti, de vez, que estava na Índia. Mais de 300 pessoas cantando em uma só voz e demonstrando sua fé. Foi demais!

Gostou das histórias? Giovanna e Fernanda participam com outros jovens da AIESEC Bauru, a instituição que organizou as viagens que realizaram. Para conhecer mais da instituição acesse o site ou entre em contato pela página no Facebook.

FacebookTwitterPinterest

Qual é o lugar da mulher negra na web?

Perante um mercado de mídias digitais emergentes, temas como feminismo, movimento negro e outras causas sociais têm ganhado notoriedade dentro da sociedade. Com o intuito de debater a presença feminina na internet, o Sesc Bauru, em parceria com o Blogando, realizou o evento “Conectando Possibilidades – O espaço da mulher na web” nesta quinta (12). O bate-papo foi guiado por Clara Averbuck e Mari E. Messias, do blog “Lugar de Mulher”.

10593063_733227506747204_8171988592844959078_n

O baixo custo de produção é um facilitador para que recursos digitais como blogs, redes sociais e aplicativos para smartphones propiciem importantes discussões sobre temas políticos e sociais. Com mais de 46 mil likes em sua página no Facebook, o blog “Lugar de Mulher” serve como exemplo para esta realidade e é referência para feministas por apresentar textos didáticos que explicam questões que são tabus para a sociedade.

Apesar da internet não ser o principal meio de comunicação de massa, seu apelo popular é cada vez mais evidente. A força política é demonstrada nos momentos em que veículos tradicionais como a televisão e os impressos são pautados pelas redes sociais. Recentemente, o programa matinal “Encontro com Fátima”, da TV Globo, entrevistou as administradoras da página do Facebook “Faça amor, não faça chapinha”, importante projeto que aborda o processo de transição capilar para meninas de cabelos crespos e cacheados.

A interferência da web em nosso cotidiano e nas formas de nos relacionarmos coloca em xeque termos como “ativismo de sofá”, referência a uma forma de atuação política preguiçosa e que não possui efeitos na vida real. A bauruense Ana Karolina Lombardi criou o blog “Caraminholas de Karola” em 2011 como uma espécie de diário virtual, mas adotou um tom  político ao seu trabalho após o processo de transição capilar em que assumiu seus fios naturais. “Se não existirem esses lugares, nós mesmas temos que estar preparadas para abrir os espaços necessários e nos fazer ouvir”, reflete Ana Karolina.

 

11009848_797351020352041_6487907648710855850_n

Karol Lombardi do “Caraminholas de Karola”. Foto: Arquivo pessoal

O ano de 2013 foi marcado por diversos acontecimentos no cenário digital. Em relatório divulgado pela empresa comScore em maio de 2014, o alto engajamento dos brasileiros se mostrou uma realidade, com grande utilização de dispositivos móveis e aplicativos. Além disso, observou-se o fortalecimento das redes sociais e o aumento da rentabilidade da publicidade na internet gerada por novas funcionalidades como vídeos de curta duração e transmissões via streaming.

O coletivo “Blogueiras Negras” aproveitou a onda e em 2014 realizou uma sequência de vídeos em oposição ao seriado “Sexo e as Negas”, transmitido pela TV Globo. Acusada de racismo, a produção apresentou a mulher preta de maneira sexualizada, principal estigma que recai sobre ela desde o período da escravidão no Brasil. A websérie “As nêga real” trouxe diversas negras para debater e problematizar a atração. A mobilização gerada pelo coletivo ganhou tanta força na rede que não se cogita mais uma segunda temporada para o programa global.

Em dezembro de 2014, a comScore registrou 65,5 milhões de espectadores únicos de vídeos online no Brasil, número que representa 86,5% do total de internautas no país. Neste cenário, vlogs sobre cabelos e estética negra ganharam força. A alagoana Rayza Nicácio possui um canal no Youtube em que mais de 250 mil meninas acompanham suas dicas para cabelos cacheados. O trabalho da estudante de Comunicação é voltado para que mais mulheres possam assumir seus fios naturais. Também referência neste nicho, Joyce Carter tem mais de 30 mil assinantes que seguem seus vídeos com dicas capilares, de maquiagem e de moda.
Letícia Abreu, de 21 anos, criou o blog “Letícia fez um blog” para abordar assuntos variados como música, moda e a sua atuação no movimento Hip Hop da cidade de  Bauru (SP). Assim como o “Caraminholas de Karola”, o espaço passou a tratar de assuntos políticos como feminismo negro após a transição capilar da autora. Letícia acredita que fazer ativismo na internet é algo fundamental. “Hoje em dia, tudo gira em torno da internet, as pessoas estão cada vez mais conectadas”, aponta a baurense, que também entende ser muito importante valorizar a mulher negra, pois não existem muitos blogs sobre a temática.

10929951_1575581899351995_7519393924820602764_n

Letícia Abreu do “Letícia fez um blog”. Foto: Arquivo pessoal

Para Ana Karolina Lombardi, não bastam apenas espaços para abordar estética. A blogueira entende ser necessário estabelecer debates sobre machismo e racismo. “Quando se trata do feminismo negro e periférico, do aborto e da saúde pública na periferia, e de assuntos que englobam unicamente a mulher negra que vive em comunidades, a pesquisa se torna desgastante, pois não há tantos blogs que falem sobre isso”, critica a estudante de Letras.

FacebookTwitterPinterest

Apresentação de Beyoncé no Grammy homenageia jovens negros assassinados

A edição deste ano do Grammy Awards foi palco de uma homenagem especial ao filme “Selma – Uma Luta Pela Igualdade”. Beyoncé, Common e John Legend foram os artistas responsáveis por este momento, certamente o mais bonito da tradicional premiação musical realizada na noite do último domingo (8), em Los Angeles, nos Estados Unidos.

beyonce-grammys

A apresentação do trio teve início com rainha Bey, que interpretou “Take My Hand, Precious Lord”. Em seguida, Common e Legend subiram ao palco para cantar “Glory”, premiada na categoria de “Melhor Canção Original” no Globo de Ouro 2015.

A performance de Beyoncé foi embalada por um dos destaques da trilha sonora de “Selma”, filme indicado a duas categorias do Oscar 2015 e que conta a história de Martin Luther King, pastor protestante e ativista social pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. A canção “Take My Hand, Precious Lord” (“Pegue minha mão, precioso Senhor”, em tradução livre) foi composta por Thomas A. Dorsey (1899-1993) e é considerada um hino pelos cristãos norte-americanos. Em sua belíssima apresentação, Bey contou que ouviu a música pela primeira vez na voz de sua mãe, que a levava à igreja quando criança.

O tributo ao filme se torna ainda mais especial se considerado o contexto em que foi realizado. Em 2014, o jovem Mike Brown foi assassinado covardemente a tiros por um policial em Ferguson, no estado Missouri (EUA). O crime desencadeou uma série de manifestações em resposta a brutal violência do Estado contra a população negra e acirrou a tensão racial no País.

Enquanto Ferguson ainda chora pelo sangue derramado, Beyoncé subiu ao palco do Grammy acompanhada de homens pretos para cantar a dor de toda a comunidade negra do mundo. Sua performance representou uma espécie de prece pelos mortos de seu povo, sua canção serviu para relembrar que os seus irmãos e irmãs de cor seguirão de punhos erguidos e lutando.

Em seu site oficial, a deusa divulgou um vídeo com os bastidores de sua performance no Grammy e aproveitou para destacar a importância e os significados de sua apresentação.

“Meus avós marcharam com Martin Luther King e meu pai fazia parte da primeira geração de homens negros que frequentavam uma escola só de brancos. Meu pai cresceu com um monte de traumas por causa dessas experiências. Eu sinto que agora posso cantar por sua dor, eu posso cantar pela dor dos meus avós e eu posso cantar pelas famílias que perderam seus filhos”, contou.

Ao final de sua apresentação, Bey ainda agradece: “Obrigado, rapazes”. E nós somos gratas a ela por dar voz a nossa dor. A música é uma arma poderosa, e os músicos negros norte-americanos nunca deixaram de cantar e clamar pela salvação de seu povo e pelo fim de todas as injustiças. A mensagem de Fela Kuti repercute.

Veja a performance no Grammy e o vídeo especial sobre a apresentação. 

 

FacebookTwitterPinterest

Um rolê pra se divertir, dar uma tumultuada, dar uns beijos, conhecer novos amigos e tirar várias fotos

Minhas canelas ardiam de tão rápido que andava. Caminhar até o centro da cidade sozinha, numa sexta à noite não é tão aconselhável. A cada prostituta que eu encontrava nas esquinas, a cada provocação dita pelos carros que passavam, a cada cantada na rua, me entreguei. Eu não sabia mais a quem temer. Responda, do que você sente tanto medo?

Responde, Aline, a quem você teme? Se a cidade não é sua, ela é de quem? Da travesti que anda com uma faca na bolsa porque toda noite sabe que talvez não volte pra casa, não é. Dos dois homens negros que me ultrapassaram, de chinelo no pé, muito menos. Dos cinco adolescentes que saltaram do ônibus, também não. É claro que não! Era a eles, esses meninos do ônibus, que gostaria de encontrar. Desde dezembro de 2013 isso havia ficado muito claro: a cidade e o shopping não pertencem aos adolescentes que só querem se divertir, dar uma tumultuada, dar uns beijos, conhecer novos amigos e tirar várias fotos.

rolezin-10

Foto: Wilian Olivato

Ao longo de 2014 o debate sobre os rolezinhos e a presença de adolescentes vindos das periferias nas regiões centrais das cidades pipocaram e o movimento tomou proporções ainda maiores. Foi nesse período que conheci os adolescentes de Bauru que enfrentaram dura repressão policial e até hoje estão ocupando praças e ruas da cidade.

Atualmente, em várias regiões do país os “rolezeiros” estão passando por um processo de criminalização e a Justiça tem proibido que transitem pelos shoppings sem seus responsáveis legais. Esse é o caso de Franca que em liminar publicada nesta terça-feira (3) no Diário de Justiça Eletrônico (DJE), a juíza Julieta Maria Passeri de Souza, determinou que adolescentes com idade até 18 anos só poderão entrar nas dependências do centro de compras da cidade acompanhados pelos pais ou responsáveis. Na última semana dois estabelecimentos de Cuiabá também passaram a proibir a entrada de menores desacompanhados dos responsáveis.

A situação de Franca é a mesma de Bauru, os “rolezinhos” não são novidade, há muitos anos os adolescentes se reuniam nesses espaços de lazer. Entretanto, o que há de diferente é que cada vez mais as barrerias sociais invisíveis que afastavam a periferia desses centros comerciais tem sido rompida e a reação é a criminalização.

Foi o que pude presenciar em janeiro de 2014 quando me aproximava do Boulevard Shopping Nações de Bauru. Pelo caminho muitos adolescentes surgiam na minha frente. Eu estava indo na direção oposta ao “rolezinho”, que atravessava a avenida correndo. Viro a esquina e a cavalaria da Polícia Militar me recepciona. A mim não, o objetivo deles não era recepcionar ninguém ali, mas expulsar. Bombas de efeito moral pra dispersar os adolescentes que tomavam a rua, cavalaria pra fazê-los andar mais rápido e revista policial num grupo de dez meninos, pra dar um susto.

role-6

Foto: Wilian Olivato

“Eles podem nos revistar o quanto for, não vão encontrar nada. Não temos nada de drogas, não somos bandidos, mas afinal, quem é você?”, perguntou o menor C.A., de 17 anos. Jefferson Guilherme, já tem 19 anos, podemos chamá-lo pelo nome, e quer que todos saibam que o que está acontecendo é uma injustiça. “Anota ai, vai sair no jornal mesmo? Estamos sendo injustiçados. Eu trabalho a semana inteira e não posso curtir o final de semana com os meus amigos de boa?”. Márcio Aparecido, 18 anos, explica: “eles estão pegando no pé dos menores que estão bebendo, mas isso não é motivo pra revistar a gente, né?”. E sentencia: “aqui ninguém está vendendo bebidas para eles, o problema não é nosso”. Jefferson lembra “estamos fazendo o nosso rolezinho há anos, nunca incomodamos ninguém, porque agora decidiram partir pra cima?”.

A explicação pro Jefferson e para todos os adolescentes que se perguntavam o que estava acontecendo, saiu na imprensa bauruense durante a semana: “Rolezinho tem mutirão contra álcool”; “Bauru diz ‘não’ à truculência nos shoppings”. O plano foi bolado pela SEBES (Secretaria de Bem Estar Social) que em reunião com lideranças da cidade, concluiu que seria preciso intervir. Após a onda de rolezinhos em shoppings na cidade de São Paulo, todo o país passou a temer o que muitos têm chamado de “movimento”. Em Bauru, os Shoppings anunciaram que agiriam com cautela e a SEBES, preocupada, desejava punir todo maior de idade que induzisse menores a beber. Além do mutirão contra o abuso alcoólico entre menores, em parceria com o Ponto de Cultura “Acesso Popular”, um palco foi providenciado para a Praça Rui Barbosa. Desde às 19h diversos artistas locais ligados ao Hip Hop subiram no palquinho. A polêmica surgida na capital chegou ao interior e expôs uma ferida aberta há anos.

Com a falta de opções de lazer e entretenimento, com o aumento econômico da classe C, o interior já presenciava diversos rolezinhos no estado de São Paulo. Não é de hoje que adolescentes se reúnem em praças, parques, proximidades de shoppings para beber. Em Bauru, há dez anos é possível presenciar o fenômeno. Tudo começou no Bauru Shopping, localizado na área nobre da cidade. Os adolescentes se dividiam pela noite entre o supermercado Wallmart, Shopping e Habib’s. Em nenhum dos locais podiam ficar. Os vizinhos reclamavam, a Polícia Militar chegava de cavalaria e os expulsava. Quando o Boulevard Shopping Nações foi inaugurado em novembro de 2012, o rolezinho mudou para lá e se alongava até a Praça Rui Barbosa.

rolezin-9

Foto: Wilian Olivato

Enquanto caminhava do Shopping até a praça, atrás de mim, três adolescentes perguntavam “O que você quer novinha?”. Percebi que não haveria como fugir das investidas do grupo, então negociei. Uma foto, alguns goles de pinga e em troca eu falaria meu nome e o que fazia com uma câmera fotográfica em mãos. Negociação consumada, cachaça entornada, Orlando Neto, de 23 anos, analisava a situação. “Eles querem que a gente vá para a Praça, não querem que a gente fique nas proximidades do Shopping, acreditam que lá não seja o nosso lugar”. Outro grupo passa, um deles pede uma foto, uma voz entre eles brada “Pra que você vai tirar foto nossa? Pra chamar de marginal depois? Eu não deixo”. Enquanto este cobria o rosto, o restante buscava a melhor pose.

Orlandinho não me deixava esquecer dele. “Ei, mas você vai me passar seu Whatsapp?”. Dançarino desde os 15 anos, explica que a música pra ele é algo que vai além de todas as questões técnicas. “A música boa é aquela que toca o coração”. A relação é clara, emoção e dança, Orlandinho só dança se sente a música. Explica que isso se aplica a qualquer estilo musical. Apesar de saber dançar axé, pagode, o grupo que formou há poucas semanas, “Bonde do Prazer”, é de funk. Formado por ele, duas meninas e o MC Gui, que além de puxar a música, vai se aventurar na dança, o Bonde do Prazer já tem duas apresentações agendadas. E Orlandinho está animado para o ano. “Já fiz minha matrícula na faculdade de Direito, quero poder ajudar os irmãos que são presos injustamente”. Enquanto contava seus planos pro ano, entre shows, faculdade e trabalho, Orlandinho me puxa pelo braço e diz “vem cá, não vamos passar no mesmo lado da rua que esses ‘gambés’”. No nosso português chato, “gambé” é PM (Policial Militar).

rolezin-12

Foto: Wilian Olivato

Já na praça, encontro vários meninos e meninas que corriam da cavalaria alguns minutos antes. A tempestade havia passado e os policias no entorno da praça não adentravam no ambiente. Estavam nos quatro cantos, um verdadeiro cerco montado. Mas a presença das viaturas não inibiu a ninguém. A dança, o xaveco, as fotos, o rolezinho não parou. Em cima de uma mureta estava parte da “família” Castellamare. Quem disse que o rolezinho não é um ambiente familiar? Alguns grupos de amigos passam a se considerar uma família, mudam o sobrenome no Facebook, andam juntos e se apoiam. Isso não é exclusividade de Bauru e muito menos do rolezinho. No dia, metade da família Castellamare estava por lá, eram cinquenta. Ao todo são cem adolescentes e jovens. “Ei, cola na nossa festa? Os Castellamares estão organizando, vai ser open.”. A festa que promete tocar de tudo vai ser na Vila Industrial, Bauru, e só compra convite quem foi previamente convidado, ou integrantes da família.

Quando me dei conta, diversos garotos queriam me convidar para suas festas, mostrar que sabiam dançar ou rimar. “Ei, agora eu quero dar entrevista pra ela”, disputava João Araújo de 21 anos. João chamou atenção porque estava vestido com uma camiseta do rapper Thigor MC. E qual não é a surpresa que João é primo do rapper e possui o mesmo talento? “Aline, escolhe uma palavra, qualquer uma, que eu faço uma rima pra você”. Escolhi diamante e ouvi que eu era um. No final, João ganhou uma foto. “Só eu e ela molecada, rapa daqui”.

Rolezinho não tem estilo musical, tudo cabe. Uma roda agitava um “paGod”, uma espécie de pagode evangélico, com instrumentos e cantores de talento. Aos poucos diversos adolescentes se aproximavam, e entre improvisações, e músicas já conhecidas, aquele momento era dedicado a Deus. A iniciativa foi de jovens da Igreja Quadrangular, Comunidade Vineyard e o grupo de dança Wise Madness. Entre orações e palavras de apoio, os jovens se abraçavam. João, Orlandinho, Guilherme, Jefferson, e tantos outros também se aproximaram e demonstraram que tinham talento. Não eram da comunidade evangélica, mas conviviam bem e não fechavam os ouvidos a mensagem que era passada. Um dos meninos presentes era Leandrin Castellamare, que mais tarde viria se converter para a igreja e substituir o Castellamare por “Renúncia” no Facebook. Atualmente os convites são para grupos de oração, mas o ex rolezeiro continua curtindo a vida.

Aos poucos, a praça foi esvaziando, assim como as garrafas de cachaça e vodka. O horário do último ônibus para os bairros mais distantes se aproximava. Meu celular apitou, era o Leandrin me avisando que mais tarde queria as fotos. Afinal, rolezinho que vale a pena rende novos contatos no Whatsapp e muitas fotos com a “molecadadinha”.

rolezin-4

Foto: Wilian Olivato

rolezin-7

Foto: Wilian Olivato

rolezin-1

Foto: Wilian Olivato

 

rolezin-3

Foto: Wilian Olivato

rolezin-6

Foto: Wilian Olivato

rolezin-2

Foto: Wilian Olivato

rolezin-5

Foto: Wilian Olivato

rolezin-11

Foto: Wilian Olivato

FacebookTwitterPinterest

Filhas da rua

Um conto-reportagem sobre madrugada e saltos-altos nas esquinas da vida

Por Felipe Vaitsman 

A rua ensina, é uma mãe. Pela madrugada, as mais asquerosas histórias caem no breu da cidade. Gente que morreu por dez reais, por trapaça, por ciúme, por vingança, por pensar diferente, por ser diferente. Por estar na rua.

Outro dia mesmo, mataram uma travesti na cidade. Thays, 27 anos. Deu no jornal. Na rodoviária, ela armou barraco com uma mulher que furou a fila do guichê para comprar a última passagem. Se descontrolou, gritou e tentou agredir a trapaceira. Saiu escorraçada. Sem bilhete, voltou à pensão em que estava. Para morrer. O namorado a assassinou com um tiro no peito, dentro do quarto. Ninguém sabe dizer ao certo qual foi o motivo.

Vivian mora nessa pensão, e conhecia a vítima. Viu a mesma arma apontada para o rosto, mas ficou calada e viveu para contar a história. Ela trabalha na esquina da Rua Benjamin Constant com a Avenida Nações Unidas. Tem 19 anos. Toma hormônios há quatro meses e se orgulha dos peitinhos já crescidos.

— Tem bofe que acha que eu sou mulher. É porque eu sou bicha-paty.

10951475_780113925400076_753595864_o

Foto: Amanda Lima

De vestido rosa-choque, curtinho, e com uma enorme bolsa laranja, ela bate o tamanco no chão e gagueja quando fica nervosa. Engole com os olhos, carros e mais carros que passam lentamente por ali. Ela acena, mexe, pede carona. A transa é cinquenta, a chupeta é trinta. Mas o movimento está fraco.

A colega, Fernanda, na rua há muito mais tempo, sabe bem que lua cheia e céu limpo iluminam o submundo mais do que se deveria. Que homem quer ser visto abrindo a porta do carro para uma travesti? Pois ela pouco se importa. Ri, joga o cabelo para trás e roda em torno do poste com movimentos de pole dance. Já entrou em carro com cinco bofes. E já foi ameaçada por mais de dez. Botou todos para correr, menos um, que não escapou a tempo e foi achincalhado em plena calçada. Hoje, Fernanda se arrisca bem menos. Trocou as esquinas pelo celular. Fica em casa o dia todo, esperando algum cliente acioná-la. Quando está na rua, é porque o telefone não tocou.

Pois Vivian e Fernanda dividiam o ponto naquela terça-feira. Se conheceram ali mesmo, sob a enorme lua cheia. Os carros passam vagarosamente e trazem olhares tímidos, assustados, curiosos. Elas só pausam a conversa para mexer com os homens:

— Me leva pra casa! — grita Fernanda, para dois que passavam de carro pela segunda ou terceira vez.

— A-adoro um negão… Quan… quantos já não me juntaram nessa pa… nessa parede aqui e puxaram meu cabelo com força? — comenta Vivian.

— Ah, não! Negão não dá, amiga! Dói demais. Só cheirando muito pó pra aguentar.

— Ma… mas eu gosto é de sentir dor mesmo, bi. Gosto quando eles me batem. E… e eu bato neles tam… também.

— Bate quando faz a ativa, bicha?

— Ba-to! Tem homem que quer apanhar! Eles só não assumem…

— E você gosta de fazer a ativa, é?

— Adoro! Principalmente quando o cara parece be… bem machão, mas é to… todo recatado. E, olha… o “meu” é bem maior que o de muitos por aí.

— Porque você não é homem, então, louca? Gosta de ser ativa!

— Eu, não, bi. Eu sou bicha-paty…

Mas Vivian sabe deixar a delicadeza de lado. Carrega sempre uma faca. Cansou de ter suas bolsas roubadas pelos vagabundos que zanzam na noite. Agora já reconhece o perigo de longe. Da última vez, lutou com o ratoneiro e conseguiu salvar as coisas. Em pouco tempo, aprende-se muito. Fernanda parou de estudar muito cedo, mas costuma dizer que se formou, já deu aulas e agora é diretora na rua. Ela já não paga pelo ponto.

10942338_780114062066729_1636643403_o

Foto: Amanda Lima

Para se prostituir na Avenida Nações Unidas, a maioria das travestis deve pagar uma espécie de aluguel para alguma cafetina. São cem reais por dia – dois programas. Cada cem metros de avenida é de uma dona. São entre quatro e seis esquinas. Algumas dessas cafetinas ainda abrigam as meninas em apartamentos, quartinhos ou pequenas pensões como aquela em que Vivian mora e onde mataram Thays. É uma luta para pagar tudo em dia. No mundo delas, as ameaças vêm de todos os lados.

Rillary tem 22 anos e carrega nos braços algumas marcas da vida. Foi atacada com uma faca de cozinha na Parada da Diversidade de Sertãozinho por outra travesti. E, na rua, sabe dos riscos que corre. Mesmo assim não abre mão de levar o celular para o trabalho: gosta de ouvir música enquanto espera pelos clientes. Se roubarem, foi só mais um aparelho, de tantos. Bianca, de 35, faz ponto na esquina do Teatro Municipal. No último sábado, alguns infelizes passaram de carro e arremessaram ovos nela e em outras colegas que, com sorte, não foram atingidas. Mas as marcas da ignorância e do preconceito estão na parede de um dos símbolos da cultura em Bauru até hoje.

Bianca é serena. Loira, alta e siliconada, olha fundo nos olhos de cada um que passa salivando por ela. Muito simpática, não desmancha o sorriso nem quando alguém para o carro só para ofendê-la. É o mesmo homem que vai voltar no fim da madrugada, para fazer um programa. Hoje ela se dá o direito de escolher: só transa com quem mostra firmeza. Naquela noite, por volta das três da manhã, foi vista saindo de uma BMW – cliente graúdo. Mas voltar ao ponto é sempre se expor à estupidez: “eu gosto é de boceta”, gritava um homem embriagado, de dentro do carro. Não é preciso responder. Ela prefere acenar ao outro que passa se declarando.

— Bianca, meu sonho de consumo!

A esses, carinhosos, toda a reciprocidade. Inocência, jamais. O homem antes de gozar é um. Depois, é outro. E aquele que ganha um programa de graça nunca mais vai querer pagar. Por isso, Rillary não dificulta a negociação. “Dinheiro na mão, calcinha no chão. Dinheiro, não viu, calcinha subiu”, é o que sempre diz, com seu sorriso tímido.

Cada uma vai atrás do seu.

Foto: Amanda Melo

Foto: Amanda Lima

Na Nações Unidas, do cruzamento com a Avenida Duque de Caxias até a rodoviária, Vivian, Fernanda, Rillary e Bianca, além de dezenas de outras travestis, vivem a face mais visceral da noite. Tal como os mendigos do centro da cidade, os traficantes do Parque Vitória Régia e malandros vacilantes, que andam por aí fumando bitucas de cigarro, pedindo goles de cerveja e cometendo pequenos delitos para pagar suas drogas. São todos vítimas. Estar na rua não é opção.

Rillary queria mesmo é ser DJ. Sonha tocar em festas abarrotadas, virando a madrugada nas melhores baladas de São Paulo. Bianca fez Magistério e está concluindo um curso para ser auxiliar de cabeleireiro. Ainda assim, as duas continuam nas esquinas noite após noite. É muito difícil deixar essa vida. Não é todo dia que se vê uma travesti num balcão de farmácia, na recepção de um hotel ou na gerência de um banco. Por preconceito e hipocrisia da sociedade, foram fadadas a ser putas.

São becos, bocas, drogas, furtos, dívidas, facas, balas, mortes. Já seria um prejuízo muito grande se Thays fosse a única vítima da violência contra transgêneros. Mas e Camila, assassinada com uma facada na altura do pescoço? E Safira, morta com cinco tiros? O que dizer sobre Evelyn, espancada e largada no meio do mato pelo agressor? Não tardará a aparecer uma travesti estraçalhada na linha do trem. E a sujeira do asfalto vai encobrir explicações. “Foi por vingança”, “roubou o cliente”, “usava drogas”, “era puta” vão ser as respostas doentias ecoando pela avenida. O fato é que há vários rastros de sangue no chão que não serão apagados.

Na noite de movimento fraco e babados fortes entre Vivian e Fernanda, a bicha-paty pergunta à colega mais experiente, diretora na rua:

— Do… do que vo… do que você tem medo?

— De nada — diz, se entregando com o olhar.

— Eu te… eu tenho medo de… tenho medo de morrer.

FacebookTwitterPinterest

Transtornar o olhar: Unesp Bauru recebe evento em celebração ao mês da visibilidade trans

10676375_969717299723887_6919043141291475538_n

Na próxima quinta-feira (29/01), o Brasil celebra o Dia da Visibilidade Trans. Ciente da importância da data e da necessidade de dar voz a esta causa, a Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru promove encontro para discutir assuntos relevantes e urgentes em nossa sociedade.

Com o título “Transtornar o olhar: mês da visibilidade trans”, o evento irá abordar temas como o processo transexualizador e suas relações com família, mercado de trabalho, mídia e transfobia. Os debates acontecem nesta quarta-feira (28/01), às 19h, no Auditório da FEB (Faculdade de Engenharia de Bauru). A entrada é gratuita e não há necessidade de inscrição antecipada. Para dúvidas e outras informações, está à disposição o endereço transtornar@gmail.com.

O encontro foi organizado por Larissa Pelúcio e Patricia Porchat, professoras dos departamentos de Ciências Humanas e Psicologia, respectivamente. As discussões serão guiadas pelas ativistas e estudantes universitárias Amara Moira e Leila Dumaresq, ambas do Coletivo Trans Tornar. Amara é doutoranda no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e assina o blog “E se eu fosse puta”. Leila é filósofa graduada também pela Unicamp e escreve no “Transliteração”.

Larissa Pelúcio aposta no evento como forma de aproximar a universidade de uma pauta extremamente importante. “O encontro é uma maneira de tirar o exotismo do nosso olhar, que muitas vezes acredita que a experiência trans não nos toca e que não estamos ligados diretamente à questão”, afirma. A professora entende que os relatos de duas mulheres trans serão fundamentais para a compreensão da causa e para despertar a necessidade de incluir pessoas de diferentes gêneros ao meio universitário com sensibilidade e sem paternalismo.

“Transtornar o olhar” é promovido pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC); Faculdade de Ciências (FC); Grupo de Pesquisa “Transgressões: Corpos, Sexualidades e Mídias Contemporâneas”; Projeto de Extensão “Escutando a Diversidade”; e Conselho Regional de Psicologia – CRP São Paulo.

Transfobia mata

O Brasil é o país onde mais ocorrem assassinatos de travestis e transexuais em todo o mundo, segundo relatório da ONG Internacional Transgender Europe. Entre janeiro de 2008 e abril de 2013, foram 486 mortes, número quatro vezes maior do que o registrado pelo México, segundo país com mais óbitos desta natureza. Os dados incluem apenas os casos reportados e a quantidade de homicídios pode ser ainda maior.

O Dia da Visibilidade Trans tem como objetivo ressaltar a importância do respeito ao movimento e alertar à sociedade que a transfobia mata.

 

FacebookTwitterPinterest

Cursinho pré-vestibular gratuito da Unesp Bauru prorroga prazo para inscrições em processo seletivo

O Cursinho Pré-Vestibular Gratuito “Principia”, da Unesp Bauru, prorrogou o prazo para as inscrições no Processo Seletivo 2015. Para concorrer à vaga, os candidatos devem comparecer à cantina da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), localizada no campus da universidade, até o dia 30 de janeiro entre 14h e 22h. A participação na seleção é garantida mediante à apresentação da Carteira de Identidade (RG) e ao pagamento de uma taxa no valor de R$20.

10528365_685122904908680_7965854660651036834_o (1)

Mariane Gomes, ex aluna do Principia.

O “Principia” é um projeto de inclusão social totalmente gratuito. Vinculado à Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), da Unesp Bauru, a iniciativa atende aos estudantes de Bauru e região com aulas focadas nos principais vestibulares do País. Para 2015, o cursinho disponibiliza 200 vagas, sendo 100 para o período noturno e 100 para o período vespertino.

Para se inscreverem, os candidatos devem estar cursando o 3º ano ou já terem concluído o Ensino Médio. Do total de vagas, 90% são destinadas a alunos oriundos de escolas públicas ou que estudaram na rede privada com 70% ou mais de bolsa de estudos (para estes casos, é necessário comprovação com documento emitido pela instituição de ensino). Os 10% restantes são oferecidos a estudantes de escolas particulares em geral. Não há limite máximo de idade.

O cursinho é totalmente apostilado e não tem nenhum custo para o aluno ao longo do ano. As aulas ocorrem de segunda a sexta-feira, das 14 às 18h para o período vespertino e das 19 às 23h para o período noturno. O “Principia” ainda conta com plantões de dúvidas durante a semana e eventuais aulas complementares e de atualidades aos sábados. Outra grande vantagem é a isenção da taxa de inscrição do vestibular Unesp para os alunos que estiverem com frequência regular e dentro do limite de faltas.

Processo Seletivo

O processo seletivo será realizado no dia 01/02 (domingo), às 8h, no campus da Unesp de Bauru. Na avaliação, serão examinadas as disciplinas de Português, Matemática, Biologia, Geografia, Física, História, Química e Atualidades. Ao todo, serão 60 questões em formato múltipla escolha.

No dia da prova, os candidatos devem chegar com 30 minutos de antecedência na cantina da FEB, mesmo local de inscrição. É necessário levar a Carteira de Identidade (RG) e o comprovante de inscrição. O gabarito deverá ser preenchido com caneta de tinta azul ou preta.

FacebookTwitterPinterest

Farm divulga coleção de inverno e reascende debate sobre a representação da mulher negra

A marca de roupas Farm apresentou a sua nova coleção inspirada na cultura negra para o inverno 2015, a Black Retrô. Segundo a diretora criativa, Katia Barros, a coleção foi pensada numa forma de reconhecimento à cultura negra que faz parte da história do Brasil. “A coleção foi pensada sobretudo pra reconhecer a beleza e a elegância da cultura negra. A ideia de trazer o retrô dentro da cultura black é resgatar a elegância do passado, é um resgate à memória”.
bola_blackretroOs responsáveis pelos cliques foram os fotógrafos Raphael Lucena e Carol Wehrs, que retrataram verdadeiras obras de arte. Parte da coleção foi fotografada nos Lençóis Maranhenses. “Lençóis trouxe uma estética de arte e fotografia muito precisa nessa campanha, além disso, o lugar tem uma natureza exuberante e uma paisagem que muitas vezes fica monocromática, pois podemos ver só o branco da areia ou o azul do céu e das águas, diferentes visões que fazem toda a diferença”, explica Katia e Carlos, diretor de branding.
41
A coleção está realmente linda, é de encher os olhos. Mas há ainda algo que nos incomoda quando o assunto é mulher negra e a moda. Apesar dessa iniciativa, a Farm esteve envolvida com um recente caso de apropriação cultural e racismo ao postar em seu Instagram uma foto de uma modelo branca vestida de Iemanjá, símbolo de religiões de matrizes afro. O caso teve grande repercussão, pois o cantor de rap Emicida criticou a postura da marca na foto divulgada.
Além desse episódio, a Farm não é uma marca conhecida por retratar negras em sua coleção, por isso fica a dúvida se o objetivo é realmente o de inclusão da cultura negra. Acreditamos que iniciativas como essa sejam interessantes, mas enquanto não existirem mulheres em coleções diversas de marcas como a Farm, o racismo ainda será uma marca do universo da moda. Afinal, mesmo que presente, a mulher preta em geral é escolhida para ensaios temáticos e específicos, mas não é integrante desse universo.
34
A falta de representatividade da mulher negra na moda é alvo da crítica da estudante de 22 anos, Victoria Madeiro.  Victória  cursa  Produção de Moda no Senac, unidade Lapa Faustulo, e acredita que essa coleção não é suficiente. “Eu quero gente preta em todas as coleções, porque gente preta também é gente e deve ser representada no verão, no inverno, na primavera e no outono”.
14
Para a Black Retrô, a Farm alega que sentiu a necessidade de fazer uma coleção com a temática África desde que fizeram sua primeira viagem de pesquisa para o continente. Mas afinal, o que é a África? Quais países foram visitados, qual é a peculiaridade de cada cultura em que entraram em contato? Tratar a África como um só país não é só um erro das marcas de roupas, mas esse conceito de uma África distante e única é amplamente utilizado em editoriais de moda. Para a estudante de Arquitetura e Urbanismo da PUC de Campinas,  Stephanie Ribeiro, é um absurdo a maneira como retratam um continente tão rico e diverso como África. “O negro em geral, no Brasil ou no continente Africano, ele tem sempre uma história única e consequentemente  só é representado quando é interessante em determinado contexto”, critica.
A beleza negra é sempre retratada pelo viés da diversidade, entretanto, é preciso que seja cada vez mais a regra de um contexto estético e político para que possamos avançar  nas representações da negra sem cair na reafirmação de estereótipos.
23
51
 
61
FacebookTwitterPinterest