O Hip Hop salva vidas, mas também pode salvar a universidade

Existe um muro invisível entre a universidade pública e a comunidade que a rodeia. O Hip Hop está no meio disso tudo e deseja quebrar esse muro, mas os “boys” precisam ajudar.

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Foto: Semana do Hip Hop Bauru 2014

Depois que “Nó na Orelha” explodiu e a classe média universitária descobriu que dá para ouvir rap e continuar sendo descolado, todo mundo passou a amar rap e a pedir mais amor por favor. Nada contra o Criolo e seu trabalho musical, mas os fãs de Criolo estão no mesmo caminho dos fãs de Beatles. Só que existe um problema nessa aproximação, rap é compromisso, não é viagem. A galera da quebrada e do Hip Hop está querendo chegar mais perto da universidade, mas o quanto a universidade está disposta a se aproximar e a compreender que o rap não é só Criolo e Emicida?

Em novembro, o Ponto de Cultura Acesso Hip Hop realizou a “Semana do Hip Hop de Bauru” com uma programação extensa repleta de shows, oficinas, saraus, atividades educativas e debates. Com o propósito de gerar uma aproximação entre a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e o movimento Hip Hop, foi proposta a realização de um debate dentro da universidade. Entretanto, o momento que deveria funcionar como ajuntamento entre esses dois universos reafirmou a distância que existe e quais são os muros que os separam. O coordenador do Acesso Hip Hop, Renato Magú, questionou durante o debate não só a ausência de universitários naquele espaço, bem como o que a universidade pública compreende como Hip Hop.

Para a molecada da quebrada o Hip Hop salva vidas e traz esperança, além de dar voz à periferia. Porém, para a galera da universidade ainda é só um produto cultural a ser consumido na mesma velocidade em que universitários giram seus corpos, em festas indies e descoladas, na disputa para ver quem vira mais copos ou de quem faz mais cara de marrento para a foto quando toca Racionais. Enquanto os estereótipos estéticos sobre o Hip Hop forem maiores que o desejo de mudança da realidade das universidades públicas, o pobre e o preto continuarão sendo objeto de estudo e não protagonistas do seu próprio movimento cultural. Não adianta defender o Sistema de Cotas e recitar Marx nas assembleias estudantis se não compreender que ter marra na favela não é pose, é resistência. O Hip Hop salvou vidas, e pelo visto vai ter que salvar a universidade.

 

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