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Assista “Breu”, primeiro clipe da carreira solo de Xênia França

Single feito em homenagem às mulheres negras tem produção exclusiva do Coletivo 336

Consagrada como a voz feminina da banda paulistana Aláfia, Xênia França inaugura nova fase de sua carreira em música que coloca a mulher negra como protagonista. Para celebrar sua etapa solo, a cantora lança o clipe do single “Breu”, canção integrante de EP a ser lançado ainda neste ano. Quatro novas músicas já foram produzidas ao lado de Pipo Pegoraro.

Assista aqui “Breu” 

Produzido em parceria com o Coletivo336, o vídeo compõe o segundo episódio do programa “O Canto”, série que apresenta faixas inéditas sobre o universo feminino interpretadas por diferentes convidadas.

Composta por Lucas Cirillo, “Breu” trata de importantes questões políticas e debate temas urgentes como o racismo institucionalizado no Brasil. A faixa também é um manifesto contra a desvalorização e a hipersexualização do corpo negro, principalmente o feminino. “Essa música me ajuda a estabelecer uma relação de empatia, me colocando no lugar de diferentes mulheres negras”, revela Xênia França.

A figura de Cláudia Santos foi uma das inspirações para “Breu”. Assassinada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2014, a mulher é uma das homenageadas pela canção. “Quando decidi gravar meu primeiro single, Cláudia não saía da minha cabeça, estava falando muito comigo e com o momento em que estamos vivendo”, explica a cantora.

O videoclipe é dirigido por Gabi Jacob e conta com a participação de mulheres que são referências em diversas áreas da cultura negra. “Convidei amigas que me inspiram e sabem o que é ser uma mulher negra em nossa sociedade”, revela.

“Breu” representa o pontapé inicial de Xênia França em seu trabalho solo. A cantora encara a música lançada como o começo de uma série de transformações e desconstruções. Sua intenção é usar a consciência para abandonar coisas aprendidas de forma errada durante toda a vida. “Esse me pareceu um bom tema para começar uma carreira solo. Quis me olhar nesse espelho, com essas reflexões sobre quem eu sou e a minha condição de mulher preta”, finaliza.

 

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Click, clack, boom, ouça nova música de Karol Conká e Boss In Drama

Depois de agitarem as pistas com o sucesso “Toda Doida”, Karol Conká e DJ Boss In Drama atacam novamente. O resultado da nova parceria da dupla é a música “Lista VIP”. Lançada na última sexta-feira (11), a canção já embala as melhores festas e promete colocar até as recalcadas para dançar.

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Conká não está para brincadeira. A nova música retrata o ambiente das baladas e possui frases marcantes como “Drink na mão, inimigas no chão”, “Balada pra mim não passa de esporte” e “Não entendeu? Vou desenhar, meu nome tá na lista VIP”.

Dê o play e click, clack, boom, porque esse é mais um tombamento da negrita doida:

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“Don’t touch my hair” e desce até o chão

Festa com temática negra promete agitar noite paulistana neste sábado (11)

Toda mulher negra com cabelo afro já ouviu alguma vez na vida se podiam tocar nele. É incrível, a pergunta surge nas mais diversas situações: no bar, no ônibus, na fila da loja, no meio da aula, no trabalho, na balada, na entrevista de emprego.

Sabe quando você está com pressa? Correndo para pegar o ônibus ou para chegar no banco antes das 16h? Pois é, nessas horas sempre surge alguém pedindo para pegar no seu cabelo e fazendo diversas perguntas inconvenientes. Seu cabelo é natural? Você faz esses cachos no dedo? Você lava? Dá para esconder muita coisa ai dentro? O que você fez para ele ficar assim?

Nascemos.

No começo, as perguntas não incomodam tanto, nem sempre percebemos o racismo contido nelas. Acreditamos inocentemente que é curiosidade e estamos fazendo um bem em prol de todas as pessoas negras deixando brancos tocarem em nosso cabelo. Pera lá, não é bem assim.

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Quer saber mesmo a verdade? Enfiaram na nossa goela o cabelo liso e não possuem o mínimo de interesse em buscar informações e respeitar os nossos fios, tranças, dreads e turbantes. A curiosidade passou a ser falta de respeito. Tem gente que sequer pergunta e sai metendo a mão no nosso cabelo como se nosso corpo fosse espaço público. O cansaço e o afrontamento sempre chegam. Quer saber?

Don’t touch my hair.

No próximo sábado, dia 11 de julho, o Porão da Sanfran vai receber uma festa com temática negra organizada por mulheres que estão cansadas do racismo, machismo, lesbofobia, bifobia, homofobia e transfobia. Com o nome “Don’t touch my hair”, prometem colocar todo mundo para mexer a bunda com as músicas que foram sensação em outras épocas e estouraram recentemente no mundo, e claro, tudo de artistas negros.

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A festa tem como objetivo mostrar que racismo e questões envolvendo gênero e sexualidade não estão dissociadas. Jéssica Ipólito, uma das organizadoras, explica como espaços que valorizam a cultura negra também podem ser opressivos para diversas pessoas.

“Em festa hip-hop rola um machismo e outros preconceitos de modo pesado. Festa de ragga, dancehall também são opressivas para mulheres em geral, gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais. As festas black de São Paulo não são diferentes”, critica.

Atrações

O time para agitar a noite é puro afrontamento. Tássia Reis, rapper que vem ganhando destaque na cena paulistana por sua voz suave e potente irá se apresentar ao lado de Xênia França, vocalista da banda Aláfia e que realizará um pocket show de BahiaBase. A discotecagem ficará por conta da DJ Luana Hansen, Jéssica Tauane (Canal das Bee), Eric Dos Palmares e a dupla Jamille e Regiane.

Um concurso de box braids (tranças sintéticas) também será realizado na festa com o objetivo de valorizar a beleza negra. O evento é destinado para todos os públicos, sem qualquer tipo de distinção. Jéssica explica que o nome da festa não busca restrições, mas a transmissão de uma mensagem que possui pouco espaço.

“A maioria de nós sabe o que é ter nosso cabelo visto como exótico, diferente e até mesmo “corajoso” de se ter. As pessoas querem olhar com as mãos sem a permissão, isso é tenso demais. Pode olhar, mas don’t touch, ok?”.

Confirme presença no evento e veja mais informações dessa noite afrobaphônica.

 

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Em novo clipe, Rihanna apresenta o sonho de uma América sem racismo

Rihanna está novamente nos holofotes. Nesta segunda-feira (6), a cantora surpreendeu o público ao lançar o clipe de “American Oxygen”, canção apresentada no Festival March Madness, em Indianápolis (EUA), no último final de semana. Se a música fala de uma sociedade ideal e sem preconceitos, a diva aproveita o vídeo para escancarar uma América racista e segregacionista.

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Foto: Reprodução

Com o clipe, Rihanna entra para o time de artistas negros que utilizaram seus trabalhos em favor da luta contra o racismo. No vídeo, a letra da música que enfatiza o sonho americano é confrontada pelas imagens. Esqueça os EUA festivo e alegre que cantoras pop como Britney Spears e Kate Perry apresentam com orgulho. Rihanna vai por outro caminho e expõe a violência policial e o preconceito de cor que ainda se mostram fortes no país, apesar dos avanços. A imagem do atentado terrorista às torres gêmeas do World Trade Center em 11 de setembro de 2001 e de outros protestos sociais também aparecem para questionar os ideais de vida presentes naquele país.

O atalho para construir uma sociedade sem racismo e mais igualitária tem sido doloroso na terra do Tio Sam. Em que pese os avanços como a eleição de Barack Obama para presidência, a morte do jovem Michael Brown revela que ainda há um caminho longo. O brutal assassinato do garoto negro de 18 anos pelos tiros da arma de um policial branco em Fergunson acirrou as tensões raciais e relembrou casos antigos de violência policial contra os afro-americanos.

Em fevereiro de 2012, o jovem negro Trayvon Martin, de 17 anos, foi alvejado por um segurança em um condomínio na Flórida. O assassino foi absolvido e gerou a revolta da população afro-americana. A morte do motorista negro Rodney King, em 1992, também faz parte desse quadro segregacionista. Na ocasião, King foi espancado até a morte por um grupo de policiais.

Diante deste cenário, Rihanna apresenta em seu clipe uma visão da sociedade estadunidense  ainda pouco explorada pela cultura pop. O vídeo traz imagens de ícones da luta pelos direitos civis nos EUA como os Panteras Negras e Martin Luther King e mostra que o tradicional sonho americano para negros e imigrantes sempre foi diferente do que é apresentado para o mundo.

“Nós suamos por alguns centavos e trocados, transformamos isto em um império.”

Os EUA também carregam o racismo como uma maldita herança dos tempos escravidão. Assim como no Brasil, a abolição não exterminou o preconceito. O surgimento de organizações criminosas como a Klu Klux Klan, apresentada no clipe de Rihanna, e a criação de leis baseadas no conceito de “raças separadas, mas iguais” (revogadas apenas em 1945) serviram para aprofundar a segregação.

O sonho americano para esse grupo social foi construído por pessoas como Rosa Parks e Martin Luther King, que derrubaram os muros existentes entre brancos e negros. Luther King ficou conhecido pela frase “eu tenho um sonho”, que reverbera até hoje na voz de Rihanna: “nós somos a nova América”.

Por enquanto, o clipe está disponível oficialmente neste link para quem já tiver a conta no Tidal. Se você não tem acesso, achamos o clipe disponível aqui. Corra para ver antes que saia do ar.

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Se ao menos essa dor trouxesse o menino de volta

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Foto: Calixto-Nego Júnior

Se ao menos essa dor servisse para bater nas paredes da justiça e abrisse portas. Se ela falasse e não só despenteasse nossos cabelos, mas botasse fogo no país até que ela não existisse mais.

Se ao menos essa dor fosse mais potente que a bala do fuzil. Ela salta fora da garganta como um grito, cai pela janela, faz barulho e morre ali. Se ao menos esse grito descesse o morro, trouxesse o menino de volta.

A dor é um pedaço de pão duro que a gente engole à força e não consegue cuspir de volta. Se essa dor ao menos sujasse os carros, invadisse o espaço do outro, atingisse esse ser que passa indiferente. Que, no escuro, não sofre e diz que não tem o direito de sofrer.

Se essa dor fosse só o punho machucado de tanto socar a parede de pedra. Mas essa dor é visível, é penalizante. Dói com lágrimas, sangra.

“Quando eu corri para falar com ele, ele apontou a arma para mim. Eu falei ‘pode me matar, você já acabou com a minha vida’.”

Se ao menos essa dor trouxesse o menino de volta.

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Nega explica porque o meme “nego” é racista

Vem cá, meu nego, é preciso entender que a língua é viva, acompanha um povo ao longo dos tempos e expressa uma maneira de organizar o mundo em nomes e estruturas linguísticas. O meme “nego” apareceu e demonstrou como uma única expressão pode adquirir inúmeros significados e ser racista, inclusive.

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A língua muda e se reinventa com as pessoas, mas essa transformação não exclui sua construção histórica e nem sua variação de acordo com o espaço em que está inserida. Ou seja, “nego” pode ser carinhoso na Bahia, mas racismo em Santa Catarina, razão pela qual precisamos ficar atentos para entender o quão problemática é essa brincadeira.

“Nego”, “nega”, “neguinho” e “neguinha” são expressões que podem ser usadas para demonstrar afeto ou para ofender. No primeiro texto publicado aqui no “Que nega é essa?”, relatei a primeira vez em que senti o racismo de modo violento e escancarado. Na ocasião, andava por Blumenau (SC) e ouvi de um homem desconhecido na rua a palavra “neguinha” dita com todo o asco possível. Na mesma semana, minha mãe encerrou nossa conversa pelo telefone com “se cuida, neguinha”. Minha mãe não foi racista, mas aquele homem, sim.

A diferença nos usos dessas expressões ficam evidenciadas por meio do conjunto de frases a seguir, que apontam o teor pejorativo e racista, pois carregam um contexto que explicita as ofensas. Veja:

“Aquilo ali é uma neguinha!”

“Sua nega feia!”

“Ô nego dos infernos, tire essas tralhas daqui”.

“Quem roubou a casa foi um neguinho”.

Já no grupo de orações abaixo, podemos observar a demonstração de carinho, como a minha mãe buscou transmitir ao me chamar de neguinha. Observem como o contexto gera essa diferença:

“Ô nega, estou com saudade!”

“Ô, meu nego! Obrigado!”

“Obrigado, neguinha! Obrigado mesmo!”

“Meu neguinho tá sozinho em casa!”

Por mais que o meme “nego” tenha surgido sem compromisso social e busque gerar o riso com a sua tradução literal, o conjunto entre palavras e imagem geram desconforto porque remontam a um racismo histórico. A língua varia com o contexto, mas não podemos esquecer que ela nasce a partir de uma disputa ideológica e não se desvencilha de suas origens. Além disso, também pode ser usada como ferramenta de poder. Precisamos relembrar como a palavra “nego” era usada no século 19 para compreendermos porque o atual meme é racista.

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Com a intensa e numerosa chegada de negros ao país no século 19, o Brasil era considerado um dos maiores importadores de escravos da época. As cargas humanas chegavam de Angola, Moçambique e muitos outros países da África. E foi tratando o negro como um animal de carga que o brasileiro começou a usar do preconceito linguístico para humilhar aquele ser humano.

Quando os escravos eram castigados, as palavras “nego” ou “nega” eram usados. Ou seja, o seu significado era acompanhado da ideia do negro como ser inferior, não humano, um animal fétido, utilizado para trabalhar sem remuneração e passível de castigos e humilhações praticados por pessoas brancas.

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O racismo viajou no tempo em uma palavra que agora habita novos contextos e registros de expressão e informação. Por esta linha de pensamento, o mesmo termo “nego” utilizado para inferiorizar outro seres humanos no século 19 toma vários significados hoje, no século 21, por causa do cenário atual em que não há mais escravidão oficial segundo a Constituição.

A perversidade do meme em questão dificulta a conclusão sobre a presença ou não do racismo na brincadeira. Isso ocorre pela utilização de uma expressão que adquiriu muitos significados, que excluiu a questão racial em alguns contextos, e que se relaciona ao negro novamente. Ou seja, o que poderia ser considerado um avanço por meio da língua tem se tornado um retrocesso, pois o negro aparece como a figura principal do meme e traz à tona o caráter racial, e, por consequência, racista.

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Há ainda alguns memes que vão além no preconceito e trazem em seu texto expressões e situações cotidianas atuais acompanhadas de imagens do período de escravidão ou da forte opressão racial nos EUA, relembrando organizações como a Klu Klux Klan.

Diante de tudo isso, fica a pergunta: para quem a escravidão e o assassinato de negros é piada? Para nós, neguinhas e neguinhos, é que não é.

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A ordem é samba

É samba que eles querem? Eu tenho. Mas só vai ter samba porque a ordem é samba e nada mais. Há quem diga que samba está no meu sangue, na minha alma, na minha genética. Somente samba faz de uma mulher negra uma negra. Não ouse dançar flamengo ou balé, porque a ordem é uma só: samba.

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Deixa que digam, mas fica avisado que eu não sei sambar, não. Será que sou negra? Deixa, deixa, eles acreditam que sou melhor na cama, uma máquina de sexo, mas pra madame eu não sirvo, não. Deixaaaaaaaaaaaa!

Pega esse tambor, esse rebolado, entra nas universidades e questiona a ciência. Mostra que não existe raça biológica, que a tão sagrada ciência serviu para escravizar nosso povo. Vai lá, compõe a mesa de congressos e samba mesmo. Vão avisar que aquele não é seu lugar e vão pedir para que volte à África.

Não deixa, não deixa o nosso desejo virar poeira. Um oceano de luta que não pode secar. Eu tenho tanto pra te falar, nem sei por onde começar, mas dessa vez não vou guardar. O seu lugar não é limpando privadas ou servindo madames desembocadas. A gente não sonha sozinha nesse mundo, mas parece que até esse sonho decidiram acorrentar.

É por isso que há tantas mulheres guerreiras, que trazem o samba da lucidez e não abaixam a cabeça. Nosso destino não é insensato, ele é tudo o que podemos desejar. Por favor, não me olhe assim, quando a solidão apertar, olhe pro lado, estaremos todas lá. Olhe mais um pouco, há muitos abraços a te esperar.

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Qual é o lugar da mulher negra na web?

Perante um mercado de mídias digitais emergentes, temas como feminismo, movimento negro e outras causas sociais têm ganhado notoriedade dentro da sociedade. Com o intuito de debater a presença feminina na internet, o Sesc Bauru, em parceria com o Blogando, realizou o evento “Conectando Possibilidades – O espaço da mulher na web” nesta quinta (12). O bate-papo foi guiado por Clara Averbuck e Mari E. Messias, do blog “Lugar de Mulher”.

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O baixo custo de produção é um facilitador para que recursos digitais como blogs, redes sociais e aplicativos para smartphones propiciem importantes discussões sobre temas políticos e sociais. Com mais de 46 mil likes em sua página no Facebook, o blog “Lugar de Mulher” serve como exemplo para esta realidade e é referência para feministas por apresentar textos didáticos que explicam questões que são tabus para a sociedade.

Apesar da internet não ser o principal meio de comunicação de massa, seu apelo popular é cada vez mais evidente. A força política é demonstrada nos momentos em que veículos tradicionais como a televisão e os impressos são pautados pelas redes sociais. Recentemente, o programa matinal “Encontro com Fátima”, da TV Globo, entrevistou as administradoras da página do Facebook “Faça amor, não faça chapinha”, importante projeto que aborda o processo de transição capilar para meninas de cabelos crespos e cacheados.

A interferência da web em nosso cotidiano e nas formas de nos relacionarmos coloca em xeque termos como “ativismo de sofá”, referência a uma forma de atuação política preguiçosa e que não possui efeitos na vida real. A bauruense Ana Karolina Lombardi criou o blog “Caraminholas de Karola” em 2011 como uma espécie de diário virtual, mas adotou um tom  político ao seu trabalho após o processo de transição capilar em que assumiu seus fios naturais. “Se não existirem esses lugares, nós mesmas temos que estar preparadas para abrir os espaços necessários e nos fazer ouvir”, reflete Ana Karolina.

 

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Karol Lombardi do “Caraminholas de Karola”. Foto: Arquivo pessoal

O ano de 2013 foi marcado por diversos acontecimentos no cenário digital. Em relatório divulgado pela empresa comScore em maio de 2014, o alto engajamento dos brasileiros se mostrou uma realidade, com grande utilização de dispositivos móveis e aplicativos. Além disso, observou-se o fortalecimento das redes sociais e o aumento da rentabilidade da publicidade na internet gerada por novas funcionalidades como vídeos de curta duração e transmissões via streaming.

O coletivo “Blogueiras Negras” aproveitou a onda e em 2014 realizou uma sequência de vídeos em oposição ao seriado “Sexo e as Negas”, transmitido pela TV Globo. Acusada de racismo, a produção apresentou a mulher preta de maneira sexualizada, principal estigma que recai sobre ela desde o período da escravidão no Brasil. A websérie “As nêga real” trouxe diversas negras para debater e problematizar a atração. A mobilização gerada pelo coletivo ganhou tanta força na rede que não se cogita mais uma segunda temporada para o programa global.

Em dezembro de 2014, a comScore registrou 65,5 milhões de espectadores únicos de vídeos online no Brasil, número que representa 86,5% do total de internautas no país. Neste cenário, vlogs sobre cabelos e estética negra ganharam força. A alagoana Rayza Nicácio possui um canal no Youtube em que mais de 250 mil meninas acompanham suas dicas para cabelos cacheados. O trabalho da estudante de Comunicação é voltado para que mais mulheres possam assumir seus fios naturais. Também referência neste nicho, Joyce Carter tem mais de 30 mil assinantes que seguem seus vídeos com dicas capilares, de maquiagem e de moda.
Letícia Abreu, de 21 anos, criou o blog “Letícia fez um blog” para abordar assuntos variados como música, moda e a sua atuação no movimento Hip Hop da cidade de  Bauru (SP). Assim como o “Caraminholas de Karola”, o espaço passou a tratar de assuntos políticos como feminismo negro após a transição capilar da autora. Letícia acredita que fazer ativismo na internet é algo fundamental. “Hoje em dia, tudo gira em torno da internet, as pessoas estão cada vez mais conectadas”, aponta a baurense, que também entende ser muito importante valorizar a mulher negra, pois não existem muitos blogs sobre a temática.

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Letícia Abreu do “Letícia fez um blog”. Foto: Arquivo pessoal

Para Ana Karolina Lombardi, não bastam apenas espaços para abordar estética. A blogueira entende ser necessário estabelecer debates sobre machismo e racismo. “Quando se trata do feminismo negro e periférico, do aborto e da saúde pública na periferia, e de assuntos que englobam unicamente a mulher negra que vive em comunidades, a pesquisa se torna desgastante, pois não há tantos blogs que falem sobre isso”, critica a estudante de Letras.

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Apresentação de Beyoncé no Grammy homenageia jovens negros assassinados

A edição deste ano do Grammy Awards foi palco de uma homenagem especial ao filme “Selma – Uma Luta Pela Igualdade”. Beyoncé, Common e John Legend foram os artistas responsáveis por este momento, certamente o mais bonito da tradicional premiação musical realizada na noite do último domingo (8), em Los Angeles, nos Estados Unidos.

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A apresentação do trio teve início com rainha Bey, que interpretou “Take My Hand, Precious Lord”. Em seguida, Common e Legend subiram ao palco para cantar “Glory”, premiada na categoria de “Melhor Canção Original” no Globo de Ouro 2015.

A performance de Beyoncé foi embalada por um dos destaques da trilha sonora de “Selma”, filme indicado a duas categorias do Oscar 2015 e que conta a história de Martin Luther King, pastor protestante e ativista social pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. A canção “Take My Hand, Precious Lord” (“Pegue minha mão, precioso Senhor”, em tradução livre) foi composta por Thomas A. Dorsey (1899-1993) e é considerada um hino pelos cristãos norte-americanos. Em sua belíssima apresentação, Bey contou que ouviu a música pela primeira vez na voz de sua mãe, que a levava à igreja quando criança.

O tributo ao filme se torna ainda mais especial se considerado o contexto em que foi realizado. Em 2014, o jovem Mike Brown foi assassinado covardemente a tiros por um policial em Ferguson, no estado Missouri (EUA). O crime desencadeou uma série de manifestações em resposta a brutal violência do Estado contra a população negra e acirrou a tensão racial no País.

Enquanto Ferguson ainda chora pelo sangue derramado, Beyoncé subiu ao palco do Grammy acompanhada de homens pretos para cantar a dor de toda a comunidade negra do mundo. Sua performance representou uma espécie de prece pelos mortos de seu povo, sua canção serviu para relembrar que os seus irmãos e irmãs de cor seguirão de punhos erguidos e lutando.

Em seu site oficial, a deusa divulgou um vídeo com os bastidores de sua performance no Grammy e aproveitou para destacar a importância e os significados de sua apresentação.

“Meus avós marcharam com Martin Luther King e meu pai fazia parte da primeira geração de homens negros que frequentavam uma escola só de brancos. Meu pai cresceu com um monte de traumas por causa dessas experiências. Eu sinto que agora posso cantar por sua dor, eu posso cantar pela dor dos meus avós e eu posso cantar pelas famílias que perderam seus filhos”, contou.

Ao final de sua apresentação, Bey ainda agradece: “Obrigado, rapazes”. E nós somos gratas a ela por dar voz a nossa dor. A música é uma arma poderosa, e os músicos negros norte-americanos nunca deixaram de cantar e clamar pela salvação de seu povo e pelo fim de todas as injustiças. A mensagem de Fela Kuti repercute.

Veja a performance no Grammy e o vídeo especial sobre a apresentação. 

 

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Uma tigresa com lábios de Ana e pele cor de mel

A Ana Carolina é o doce tiro silencioso. É beleza e uma certeza inabalável que o mundo é dela. Já o Adriano Bueno é o amigo talentoso que consegue retratar personalidades fortes por meio da fotografia. Os dois se reuniram num parque de diversões itinerante que passava por Bauru (SP), cidade em que moram para realizar esse ensaio fotográfico inspirador.

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Foto: Adriano Bueno

Ana encarnou um personagem  hipster com elementos góticos. “Tentei ser um pouco blasé com uma mistura de quem quer estar morta, mas que ainda assim se diverte num parque de diversões”,  brinca com o meme. Sendo uma mulher negra, a atitude blasé, de ignorar certas coisas que acontecem no mundo, nos traz a impressão de que Ana é forte. Por isso vemos nela a figura da mulher negra em sua completude: doce, guerreira, alegre, resistente, uma tigresa.

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Foto: Adriano Bueno

O figurino foi montado pelos dois amigos. A saia eles encontraram num brechó, já o top é do acervo pessoal do Adriano e a maquiagem da própria Ana.

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Foto: Adriano Bueno

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Foto: Adriano Bueno

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Foto: Adriano Bueno

 

 

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