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Assista “Breu”, primeiro clipe da carreira solo de Xênia França

Single feito em homenagem às mulheres negras tem produção exclusiva do Coletivo 336

Consagrada como a voz feminina da banda paulistana Aláfia, Xênia França inaugura nova fase de sua carreira em música que coloca a mulher negra como protagonista. Para celebrar sua etapa solo, a cantora lança o clipe do single “Breu”, canção integrante de EP a ser lançado ainda neste ano. Quatro novas músicas já foram produzidas ao lado de Pipo Pegoraro.

Assista aqui “Breu” 

Produzido em parceria com o Coletivo336, o vídeo compõe o segundo episódio do programa “O Canto”, série que apresenta faixas inéditas sobre o universo feminino interpretadas por diferentes convidadas.

Composta por Lucas Cirillo, “Breu” trata de importantes questões políticas e debate temas urgentes como o racismo institucionalizado no Brasil. A faixa também é um manifesto contra a desvalorização e a hipersexualização do corpo negro, principalmente o feminino. “Essa música me ajuda a estabelecer uma relação de empatia, me colocando no lugar de diferentes mulheres negras”, revela Xênia França.

A figura de Cláudia Santos foi uma das inspirações para “Breu”. Assassinada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2014, a mulher é uma das homenageadas pela canção. “Quando decidi gravar meu primeiro single, Cláudia não saía da minha cabeça, estava falando muito comigo e com o momento em que estamos vivendo”, explica a cantora.

O videoclipe é dirigido por Gabi Jacob e conta com a participação de mulheres que são referências em diversas áreas da cultura negra. “Convidei amigas que me inspiram e sabem o que é ser uma mulher negra em nossa sociedade”, revela.

“Breu” representa o pontapé inicial de Xênia França em seu trabalho solo. A cantora encara a música lançada como o começo de uma série de transformações e desconstruções. Sua intenção é usar a consciência para abandonar coisas aprendidas de forma errada durante toda a vida. “Esse me pareceu um bom tema para começar uma carreira solo. Quis me olhar nesse espelho, com essas reflexões sobre quem eu sou e a minha condição de mulher preta”, finaliza.

 

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O não dito da hashtag #meuamigosecreto

Existem certos acordos silenciosos que são feitos na ausência das palavras e reafirmados de maneira subjetiva por meio da tensão, do olhar repressor, do toque violento, da conivência da sociedade e impunidade dos agressores. É no não dito que reside a importância de campanhas virtuais propagadas pelas hashtags #primeiroassédio, #nãopoetizeomachismo e #meuamigosecreto.

Pela primeira vez mulheres passaram a relatar a violência que sofrem de modo explicito. A quantidade de relatos indica como precisamos conversar sobre violência de gênero, e mais, como é necessário que se crie espaços de acolhimento para essas mulheres para que digam cada vez mais sobre o que vivem.

O silêncio pode ser benéfico, afinal, todos nós precisamos de tempo para refletirmos sobre o que vivemos. Olhar para si e poder pensar em erros e possíveis mudanças pode ser transformador. Entretanto, quando o silêncio é uma imposição ele passa a ser uma violência. Trata-se aí, portanto, de um não dito que é dito: mulheres merecem a violência que sofrem.

Quando passam por situações de assédio e abuso psicológico, físico, material e moral e não falam sobre essas questões, é dito que todas essas situações são aceitas e por isso não merecem ser debatidas. Narrar essas histórias por meio da escrita escancara um complexo de relações dessas mulheres com outros sujeitos e dessas mulheres consigo mesmas. O que as hashtags fazem é trazer à tona o não dito. Sendo assim, na superfície se transforma: vira o dito.

Quando conseguimos nomear essas violências damos o primeiro passo para a mudança dessas realidades. Ao apontar amigos secretos, na verdade, busca-se indicar como a violência também mora no afeto. O amigo pode ser qualquer pessoa do sexo masculino que essas mulheres se relacionaram ao longo da vida. Diferente do que muitos veículos jornalísticos apontam, falar de um mau comportamento de um amigo, nesse caso, não se resume a indiretas nas redes sociais.

Por isso a sugestão simples de que deve-se trocar de amigos não é satisfatória. Ela novamente responsabiliza a vítima por tudo o que viveu e ignora que nossa existência está sempre condicionada ao outro. O que fica bem claro é que essas mulheres viveram situações turbulentas com quem menos esperavam. Ou seja, o que parece que é não é, e o que não parece que é é, e quem se supunha estar num lugar, na verdade, está no lugar oposto: do agressor.

Porém, é importante destacar que a linguagem nunca representará o real. Dizer que homens não são apenas machistas não muda o fato de que a própria linguagem nunca se livrará de ter presa a ela a realidade. Essa relação irresolvida entre texto e realidade não pode justificar que o não dito permaneça como está. Nossas ações não devem se restringir às narrativas, mas devem ser iniciadas de algum modo, que seja por “textões” e hashtags.

 

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Clarice Falcão lança novo clipe e se joga no batom vermelho

Numa releitura de Survivor de Destiny’s Child, a atriz, cantora e compositora Clarice Falcão apresentou na manhã desta sexta-feira, 13, seu novo clipe em seu canal no Youtube. Lançada em 2001, “Survivor” é uma faixa do terceiro álbum do Destiny’s Child, que era formado por Beyoncé Knowles, Kelly Rowland e Michelle Williams. No clipe, a cantora apresenta uma visão menos romantizada sobre a canção ao retratar diversas mulheres de diferentes biotipos passando batom vermelho da forma que desejam.

“A gente queria tirar a conotação romântica da música e pensamos no batom vermelho”, explica Clarice. Com o intuito de representar todas as mulheres, a cantora esclarece que deu o batom na mão delas e orientou para que fizessem o que desejavam.

Além de se maquiarem de maneira convencional, muitas passam o batom pelo corpo e escrevem palavras como “padrão” e “sapatão”, além de desenharem os símbolos do feminismo e transfeminismo. Clarice revela que sempre foi muito fã de Destiny’s Child e acredita que o grupo sempre teve uma pegada feminista por apresentar músicas tão fortes como “Bills, Bills, Bills” e “Independent Woman”.

Desde que Jout Jout lançou em seu canal no Youtube o vídeo “Não tira o batom vermelho” diversas mulheres passaram a utilizar o batom vermelho como símbolo de resistência e empoderamento na internet. A atriz conta que Jout Jout foi uma das referências para a concepção do clipe, mas não a única, já que a história de diversas mulheres a inspiraram. A mãe e a irmã de Clarice, Adriana e Isabel, também participam do clipe.

Os lucros da venda da música no iTunes serão inteiramente revertidos para a Think Olga, uma ONG que luta pelos direitos das mulheres. No fim do vídeo aparece uma mensagem que diz: “É preciso ter coragem para ser mulher nesse mundo. Para viver como uma. Para escrever sobre elas.”

Confira o clipe:

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“Don’t touch my hair” e desce até o chão

Festa com temática negra promete agitar noite paulistana neste sábado (11)

Toda mulher negra com cabelo afro já ouviu alguma vez na vida se podiam tocar nele. É incrível, a pergunta surge nas mais diversas situações: no bar, no ônibus, na fila da loja, no meio da aula, no trabalho, na balada, na entrevista de emprego.

Sabe quando você está com pressa? Correndo para pegar o ônibus ou para chegar no banco antes das 16h? Pois é, nessas horas sempre surge alguém pedindo para pegar no seu cabelo e fazendo diversas perguntas inconvenientes. Seu cabelo é natural? Você faz esses cachos no dedo? Você lava? Dá para esconder muita coisa ai dentro? O que você fez para ele ficar assim?

Nascemos.

No começo, as perguntas não incomodam tanto, nem sempre percebemos o racismo contido nelas. Acreditamos inocentemente que é curiosidade e estamos fazendo um bem em prol de todas as pessoas negras deixando brancos tocarem em nosso cabelo. Pera lá, não é bem assim.

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Quer saber mesmo a verdade? Enfiaram na nossa goela o cabelo liso e não possuem o mínimo de interesse em buscar informações e respeitar os nossos fios, tranças, dreads e turbantes. A curiosidade passou a ser falta de respeito. Tem gente que sequer pergunta e sai metendo a mão no nosso cabelo como se nosso corpo fosse espaço público. O cansaço e o afrontamento sempre chegam. Quer saber?

Don’t touch my hair.

No próximo sábado, dia 11 de julho, o Porão da Sanfran vai receber uma festa com temática negra organizada por mulheres que estão cansadas do racismo, machismo, lesbofobia, bifobia, homofobia e transfobia. Com o nome “Don’t touch my hair”, prometem colocar todo mundo para mexer a bunda com as músicas que foram sensação em outras épocas e estouraram recentemente no mundo, e claro, tudo de artistas negros.

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A festa tem como objetivo mostrar que racismo e questões envolvendo gênero e sexualidade não estão dissociadas. Jéssica Ipólito, uma das organizadoras, explica como espaços que valorizam a cultura negra também podem ser opressivos para diversas pessoas.

“Em festa hip-hop rola um machismo e outros preconceitos de modo pesado. Festa de ragga, dancehall também são opressivas para mulheres em geral, gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais. As festas black de São Paulo não são diferentes”, critica.

Atrações

O time para agitar a noite é puro afrontamento. Tássia Reis, rapper que vem ganhando destaque na cena paulistana por sua voz suave e potente irá se apresentar ao lado de Xênia França, vocalista da banda Aláfia e que realizará um pocket show de BahiaBase. A discotecagem ficará por conta da DJ Luana Hansen, Jéssica Tauane (Canal das Bee), Eric Dos Palmares e a dupla Jamille e Regiane.

Um concurso de box braids (tranças sintéticas) também será realizado na festa com o objetivo de valorizar a beleza negra. O evento é destinado para todos os públicos, sem qualquer tipo de distinção. Jéssica explica que o nome da festa não busca restrições, mas a transmissão de uma mensagem que possui pouco espaço.

“A maioria de nós sabe o que é ter nosso cabelo visto como exótico, diferente e até mesmo “corajoso” de se ter. As pessoas querem olhar com as mãos sem a permissão, isso é tenso demais. Pode olhar, mas don’t touch, ok?”.

Confirme presença no evento e veja mais informações dessa noite afrobaphônica.

 

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Se eu não me valorizar, quem vai fazer isso por mim? #mixtape

Tudo bem, Amanda, a gente sabe que é difícil sair fora de certas relações e não correr atrás daquele babaca. Já que você disse que não quer mais saber do Fernando, preparamos uma playlist para comemorar junto contigo. Escolhemos mulheres maravilhosas do funk que têm muito a dizer sobre essa sua nova e sensacional fase.

Se você já passou pelo o mesmo que a Amanda ou está passando, dê o play e venha com a gente. Afinal, se eu não me valorizar, quem vai fazer isso por mim?

 

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A ordem é samba

É samba que eles querem? Eu tenho. Mas só vai ter samba porque a ordem é samba e nada mais. Há quem diga que samba está no meu sangue, na minha alma, na minha genética. Somente samba faz de uma mulher negra uma negra. Não ouse dançar flamengo ou balé, porque a ordem é uma só: samba.

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Deixa que digam, mas fica avisado que eu não sei sambar, não. Será que sou negra? Deixa, deixa, eles acreditam que sou melhor na cama, uma máquina de sexo, mas pra madame eu não sirvo, não. Deixaaaaaaaaaaaa!

Pega esse tambor, esse rebolado, entra nas universidades e questiona a ciência. Mostra que não existe raça biológica, que a tão sagrada ciência serviu para escravizar nosso povo. Vai lá, compõe a mesa de congressos e samba mesmo. Vão avisar que aquele não é seu lugar e vão pedir para que volte à África.

Não deixa, não deixa o nosso desejo virar poeira. Um oceano de luta que não pode secar. Eu tenho tanto pra te falar, nem sei por onde começar, mas dessa vez não vou guardar. O seu lugar não é limpando privadas ou servindo madames desembocadas. A gente não sonha sozinha nesse mundo, mas parece que até esse sonho decidiram acorrentar.

É por isso que há tantas mulheres guerreiras, que trazem o samba da lucidez e não abaixam a cabeça. Nosso destino não é insensato, ele é tudo o que podemos desejar. Por favor, não me olhe assim, quando a solidão apertar, olhe pro lado, estaremos todas lá. Olhe mais um pouco, há muitos abraços a te esperar.

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5 em 50: Egito e Índia pelo olhar de duas brasileiras

O mundo é seu, o mundo é meu e também é da Giovanna Falchetto e da Fernanda Bichuette. As duas contaram um pouco do intercâmbio que fizeram pela AIESEC no evento “5 em 50” na Unesp de Bauru. Além de realizarem um sonho, as universitárias puderam trabalhar como voluntárias em projetos de impacto social nos países em que visitaram. A Giovanna foi para o Egito e a Fernanda para a Índia.

As mulheres cada vez mais têm rompido barreiras e conquistado um espaço maior no mundo, entretanto, nem todo lugar é seguro para elas. As brasileiras são tratadas de maneira extremamente sexualizada, mas quando falamos de Egito e Índia a situação é mais complicada. Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Thompson-Reuters, o Egito é considerado o pior país para mulheres do mundo árabe. O estudo mostrou que o assédio sexual, mutilações dos genitais e tráfico de mulheres são recorrentes e torna o país um lugar inseguro. Giovanna conta que a mulher brasileira ainda é vista de maneira estereotipada, mas afirma que a sua maior dificuldade foi por ser mulher e não brasileira. “A situação da mulher no Egito é horrorosa, o Feminismo sangra lá de tanto que as mulheres são submissas”, aponta a estudante.

A situação não é diferente na Índia, um país onde um grupo de mulheres é condenado a uma vida de humilhações e de violência desde o nascimento. Há uma divisão social bastante rígida definida pelas castas. Quem nasce na camada mais baixa é chamado de ‘dalit’ ou ‘intocável’, mas o nome não significa privilégio algum. Os ‘intocáveis’ não têm direitos e são vítimas de todo tipo de agressão, especialmente as mulheres. Algumas chegam a ser atacadas com ácido e estão expostas a agressões, assédios e estupros a todo o momento. Fernanda não passou por situações como essa, pelo contrário, foi muito bem tratada. “Entrei em muita festa de graça pelo simples fato de ser brasileira”, conta.

Romper essas barreiras por serem mulheres mostra como a viagem de Giovanna e Fernanda foi especial. Pedimos para as duas listarem cinco coisas que a impressionaram e adoramos o resultado. Vejam a lista:

5 coisas incríveis sobre o Egito por Giovanna Falchetto

  1. A Intensidade das pessoas. Os árabes são muito intensos no modo de se relacionar. Falam muito rápido e gesticulam muito. Fazem amizade rápido e acolhem um estrangeiro de forma surpreendente, fazem de tudo pra você se sentir em casa e bem.
  1. A praia de Dahab. O lugar mais bonito em que já fui na vida.

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  1. Monte Sinai. Apesar de não ter religião definida, tenho muita fé e ter estado nesse lugar significou muito pra mim.
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  1. A troca de valores e cultura que tive por estar trabalhando com mais de 70 pessoas de países diferentes.
  1. A energia do lugar. Acredito muito em energias que se trocam e se completam e no Egito senti isso de forma inexplicável.

5 coisas incríveis sobre a Índia por Fernanda Bichuette

  1. A comida. Eu engordei 7kgs lá na Índia. A comida é EXTREMAMENTE apimentada. Eu já sabia que ia me deparar com isso, mas achei que dava pra engolir. Como para conseguir comer eu tinha que beber mais de 1l de água eu acabei comendo muito fast food.
  1. As pessoas. Esse é um idoso Sikh, religião mais fofa da Índia. Eles simbolizavam simpatia e receptividade pra mim. Sempre muito dispostos a me ajudar. E não era diferente com as outras pessoas de lá. Nunca me senti tão bem recebida em um lugar! Quando eu saia, era mais de dez pessoas pedindo para tirar foto pelo simples fato de eu ser de outro país.
  1. Fronteira Índia-Paquistão. Estive em uma cidade em que haviam jogado uma bomba na semana anterior a minha visita. Fiquei sabendo depois que fui embora. E que bom! Consegui aproveitar muito e foi um dos eventos mais incríveis. Índia de um lado do portão, Paquistão do outro. Cada um com seu grito de “guerra”, mas de forma pacífica. Foi lindo de ver. Chamaram as mulheres indianas para dançar e eu fui também. Com certeza, meu “aha moment” da viagem toda!
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  1. Templo de Lotus. 8 religiões em um Templo só. Isso demonstra muito a tolerância e diversidade religiosa que me encantou por lá. Todos se respeitam muito. Dentro desse templo, senti uma paz indescritível. Lá dentro tem um altar sem imagem alguma e alguns bancos. Estar lá foi uma das minhas melhores experiências no país e considero esse Templo o mais incrível lugar de Nova Deli.
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  1. Cerimônia religiosa na beira do Rio Ganges. No meu primeiro final de semana fui viajar e acampar na beira do Rio Ganges. Ao fim do dia, participei de uma cerimônia religiosa em sua margem. Foi naquele momento que senti, de vez, que estava na Índia. Mais de 300 pessoas cantando em uma só voz e demonstrando sua fé. Foi demais!

Gostou das histórias? Giovanna e Fernanda participam com outros jovens da AIESEC Bauru, a instituição que organizou as viagens que realizaram. Para conhecer mais da instituição acesse o site ou entre em contato pela página no Facebook.

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Os homens é que precisam do Feminismo

Ao saírmos do armário do feminismo e comunicarmos para as pessoas próximas que não vamos mais tolerar certos tipos de piadas, é como se a terceira guerra mundial começasse em nossa vida. Lembro que a primeira vez que me assumi publicamente como feminista foi em 2011, num post no Facebook. De lá para cá, muita coisa mudou na minha vida e nos meus relacionamentos.

Assumir-se feminista é entender que todos os homens, inclusive os que você mais ama, são machistas. Colocar-se numa postura crítica é um processo doloroso de ambas as partes, nem todos os relacionamentos sobrevivem. Num momento cheguei a acreditar que perderia meus melhores amigos e que a situação com o meu pai ficaria insustentável. Entretanto, eles entenderam algo que poucas pessoas assimilaram: o Feminismo não precisa dos homens, são os homens que precisam do Feminismo.

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Foto: Diogo Zacarias

Explicar o Feminismo aos homens foi uma tarefa árdua. Em 2011, minhas referências feministas na internet eram só a Lola, com o blog “Escreva Lola”, e a Nádia Lapa, com o polêmico “Cem homens”. Não existiam coletivos feministas na minha universidade e as mulheres não eram lá muito minhas amigas.

Foi uma fase bastante difícil. Frequentemente, eu terminava as noites brigando com os caras nos fins de festas ou chorando nas mesas de bar porque não conseguiam entender que piadas e comportamentos machistas, com qualquer mulher que fosse, me ofenderiam. Hoje, compreendo que não precisava ter me desgastado tanto, mas uma coisa ficou clara: eu não necessito do aval deles. A estratégia que assumi foi a de mostrar como eram eles que precisavam do Feminismo, e deu certo.

Certa vez, o meu melhor amigo me surpreendeu ao dizer que ensino coisas a ele mesmo quando estou conversando sobre banalidades da minha vida. E agradeceu dizendo que hoje ele é um homem melhor porque compreendeu o Feminismo e é capaz de tratar todas as pessoas de maneira igual e respeitosa. Atualmente, alguns pedem para que eu os alerte quando emitirem alguma opinião machista ou racista. Lembrando que ter esta postura não é obrigação de nenhuma feminista.

Entendam de uma vez por todas: o machismo não é um problema nosso, mas dos homens. São eles que oprimem e continuam reforçando para si padrões de um regime masculino no campo estético, comportamental e social. O diálogo, a reflexão e a mudança de postura são necessários entre todas as pessoas.

E não, o Feminismo não precisa dos homens. Passar bem.

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Qual é o lugar da mulher negra na web?

Perante um mercado de mídias digitais emergentes, temas como feminismo, movimento negro e outras causas sociais têm ganhado notoriedade dentro da sociedade. Com o intuito de debater a presença feminina na internet, o Sesc Bauru, em parceria com o Blogando, realizou o evento “Conectando Possibilidades – O espaço da mulher na web” nesta quinta (12). O bate-papo foi guiado por Clara Averbuck e Mari E. Messias, do blog “Lugar de Mulher”.

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O baixo custo de produção é um facilitador para que recursos digitais como blogs, redes sociais e aplicativos para smartphones propiciem importantes discussões sobre temas políticos e sociais. Com mais de 46 mil likes em sua página no Facebook, o blog “Lugar de Mulher” serve como exemplo para esta realidade e é referência para feministas por apresentar textos didáticos que explicam questões que são tabus para a sociedade.

Apesar da internet não ser o principal meio de comunicação de massa, seu apelo popular é cada vez mais evidente. A força política é demonstrada nos momentos em que veículos tradicionais como a televisão e os impressos são pautados pelas redes sociais. Recentemente, o programa matinal “Encontro com Fátima”, da TV Globo, entrevistou as administradoras da página do Facebook “Faça amor, não faça chapinha”, importante projeto que aborda o processo de transição capilar para meninas de cabelos crespos e cacheados.

A interferência da web em nosso cotidiano e nas formas de nos relacionarmos coloca em xeque termos como “ativismo de sofá”, referência a uma forma de atuação política preguiçosa e que não possui efeitos na vida real. A bauruense Ana Karolina Lombardi criou o blog “Caraminholas de Karola” em 2011 como uma espécie de diário virtual, mas adotou um tom  político ao seu trabalho após o processo de transição capilar em que assumiu seus fios naturais. “Se não existirem esses lugares, nós mesmas temos que estar preparadas para abrir os espaços necessários e nos fazer ouvir”, reflete Ana Karolina.

 

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Karol Lombardi do “Caraminholas de Karola”. Foto: Arquivo pessoal

O ano de 2013 foi marcado por diversos acontecimentos no cenário digital. Em relatório divulgado pela empresa comScore em maio de 2014, o alto engajamento dos brasileiros se mostrou uma realidade, com grande utilização de dispositivos móveis e aplicativos. Além disso, observou-se o fortalecimento das redes sociais e o aumento da rentabilidade da publicidade na internet gerada por novas funcionalidades como vídeos de curta duração e transmissões via streaming.

O coletivo “Blogueiras Negras” aproveitou a onda e em 2014 realizou uma sequência de vídeos em oposição ao seriado “Sexo e as Negas”, transmitido pela TV Globo. Acusada de racismo, a produção apresentou a mulher preta de maneira sexualizada, principal estigma que recai sobre ela desde o período da escravidão no Brasil. A websérie “As nêga real” trouxe diversas negras para debater e problematizar a atração. A mobilização gerada pelo coletivo ganhou tanta força na rede que não se cogita mais uma segunda temporada para o programa global.

Em dezembro de 2014, a comScore registrou 65,5 milhões de espectadores únicos de vídeos online no Brasil, número que representa 86,5% do total de internautas no país. Neste cenário, vlogs sobre cabelos e estética negra ganharam força. A alagoana Rayza Nicácio possui um canal no Youtube em que mais de 250 mil meninas acompanham suas dicas para cabelos cacheados. O trabalho da estudante de Comunicação é voltado para que mais mulheres possam assumir seus fios naturais. Também referência neste nicho, Joyce Carter tem mais de 30 mil assinantes que seguem seus vídeos com dicas capilares, de maquiagem e de moda.
Letícia Abreu, de 21 anos, criou o blog “Letícia fez um blog” para abordar assuntos variados como música, moda e a sua atuação no movimento Hip Hop da cidade de  Bauru (SP). Assim como o “Caraminholas de Karola”, o espaço passou a tratar de assuntos políticos como feminismo negro após a transição capilar da autora. Letícia acredita que fazer ativismo na internet é algo fundamental. “Hoje em dia, tudo gira em torno da internet, as pessoas estão cada vez mais conectadas”, aponta a baurense, que também entende ser muito importante valorizar a mulher negra, pois não existem muitos blogs sobre a temática.

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Letícia Abreu do “Letícia fez um blog”. Foto: Arquivo pessoal

Para Ana Karolina Lombardi, não bastam apenas espaços para abordar estética. A blogueira entende ser necessário estabelecer debates sobre machismo e racismo. “Quando se trata do feminismo negro e periférico, do aborto e da saúde pública na periferia, e de assuntos que englobam unicamente a mulher negra que vive em comunidades, a pesquisa se torna desgastante, pois não há tantos blogs que falem sobre isso”, critica a estudante de Letras.

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Depressão não é fraqueza, Boninho

Tamires é uma mulher amável, mãe e simpática. Dentro da casa do Big Brother Brasil 15, não tinha inimigos, todo mundo gostava dela. Mas as coisas passaram a desandar quando Tamires passou a demonstrar que possui distúrbios alimentares.

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Era frequente Tamires ficar nervosa, comer compulsivamente e depois passar mal. A crise de choro era certa, a participante se sentia culpada e frustrada por não conseguir superar sozinha o distúrbio. O ritual passou a ser frequente e Tamires ficou com a fama de chorona.

Poucos brothers entenderam a gravidade dos problemas que Tamires enfrentava. Alguns tiravam sarro na frente da moça. Luan se tornou uma espécie de fiscal da boca alheia, sabia quantas vezes Tamires havia repetido as refeições e contava isso para os amigos. Na realidade, Luan é o grande fiscal das mulheres na atual edição do programa. Além de controlar a boca de Tamires, sabia quantas vezes Amanda olhou para Fernando. A única coisa que o brother não sabe fazer é controlar a própria língua.

O desespero de Tamires aumentou após a festa na madrugada de sexta-feira (6). Bêbado, Rafael investiu na participante. Insistiu no beijo, Tamires ponderou, fugiu, mas acabou beijando o rapaz que até dias anteriores estava num relacionamento com Talita, que saiu na última terça-feira (3).

O dia seguinte não foi só de ressaca, mas de culpa. Rafael, que não lembrava de nada do que aconteceu, ficou sabendo por outro participante que flertou com Tamires. Na conversa para confirmar o que rolou na noite anterior, o rapaz deu a entender que a culpa era de Tamires, que foi até o quarto onde ele estava deitado.

Tamires reclamou do que o brother disse a ela, e com o passar do tempo começou a ficar preocupada com o que pensariam do ocorrido. Ciente de que a culpa é sempre atribuída à mulher quando um homem trai sua parceira, Tamires ficou abalada. As crises de choro passaram a ocorrer com maior frequência, até que na madrugada do domingo (8) ameaçou se matar com uma faca caso não conseguisse sair do programa.  Após testar se a porta da casa estava realmente fechada, a jovem desabafou: “Não aguento mais, estou desesperada”.

O desespero ficou mais forte, Tamires disse que perdeu totalmente suas forças, arrumou a mala e se dirigiu ao confessionário ainda na tarde de domingo (8). Algum tempo após sua desistência, a voz de Boninho avisou que sair do Big Brother Brasil é fácil, e acrescentou que “quem sai é desistente, é perdedor. Quem foi eliminado lutou até o final. […] Quem quiser sair é super simples. É só colocar a malinha lá no confessionário e pum, morreu pra gente. […] Quem quiser sair, nenhum problema. Se a gente quiser colocar outra pessoa na casa também é fácil. A gente tem um bilhão de pessoas que querem entrar. Pensem nisso”.

Diferentemente do que afirma o diretor do programa, Tamires não é fraca. É uma mulher que enfrenta uma sociedade machista que impõe constantemente às mulheres um padrão de beleza cruel. Tamires não é fraca, resiste ao controle extremo de sua sexualidade e ao desafio constante de ser mulher. Não há problema nenhum em pedir para sair e cuidar de sua saúde.

Infelizmente, na nossa cultura machista acredita-se que apenas homens são fortes, não se quebram, não se abatem e não choram. Uma das coisas mais comuns que se ouve na psiquiatria, que homens costumam dizer, é que os problemas psiquiátricos, principalmente a depressão, são sinais de fraqueza.

A atitude da produção do reality show não é nenhuma surpresa, mas no Dia Internacional da Mulher, o Big Brother Brasil mostrou porque a data não é de festa. Tamires, vem cá, do lado de fora tem um montão de mulheres prontas para te abraçar.

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